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A depressão na adolescência tem efetivamente crescido nos últimos anos? Ou só agora somos capazes de aceitar que ela existe em idades, em que era suposto que os jovens se centrassem na descoberta de si mesmo?

Já com idade suficiente para perceber algumas situações, o adolescente não sabe propriamente que aquilo que sente é uma depressão, sente-se triste, desiludido e até desanimado, mas dai a conseguir explicar o que vive, vai uma grande distância. Esta dificuldade de perceber que o que sente não é saudável, pode explicar o facto de que cerca de 20% destes jovens não cheguem a receber ajuda médica para ultrapassar a situação.

Nesta idade, a deteção desta doença irá depender da atenção que os adultos dispensam aos mais novos, no entanto, tenho para comigo que a ideia de que nesta fase de crescimento os adolescentes ficam “estranhos”, pode levar à desvalorização de sintomas.

Jovens adolescentes que deveriam manter a motivação, a alegria de viver, a adrenalina da descoberta da vida entram no ritmo da pressão desde muito cedo. Talvez os mais sensíveis, mais sentimentais se vejam a braços com conflitos com os pais, a não-aceitação das mudanças no seu corpo, os complexos e até a falta de auto estima. As constantes comparações com o outro e a necessidade de se igualarem aos estereótipos da sociedade, são fatores que podem levar o adolescente a entrar numa ansiedade que não consegue controlar, que lhe traz irritação, desilusão, sensação de não saber o que fazer ou o que quer.

De que modo a educação que passamos a estes jovens proporciona estas situações? O ambiente em que crescem poderá ser rico em agente patológicos que os tornam emocionalmente frágeis, com receios e incertezas, dependentes das opiniões dos outros e perdidos de si? Nada que faça parte da vida de um adolescente deixa de influenciar a forma como este se constrói e se fortalece. Na verdade, nas últimas décadas criam-se jovens dependentes do adulto, vítimas da aceleração da sociedade, das tecnologias e da busca da materialização. Cheios de tudo desde cedo, quando se deparam com um “não” sobre o qual os pais não podem interferir, perdem o equilíbrio e surge uma série de sintomas.

O que fazer? Como mudar o modo como os jovens encaram a vida? Como educar crianças felizes? Porque chegam os adolescentes a esta situação? Cada caso será um caso, notoriamente cada adolescente lidará com as situações do modo como o orientaram a fazer, ou como viu os adultos que fazem parte da sua vida agirem. Certamente os que forem ensinados a ver as contrariedades e mudanças como um desafio conseguirão aceitar melhor as frustrações do crescimento.

Este é um tema complexo, que levanta muitas perguntas, que despoleta muitas opiniões e sobretudo é uma realidade que causa muito sofrimento em idades que deveriam ser marcadas por um crescimento feliz.

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