Em tempo de Carnaval as máscaras são projeção de nós, alguns aproveitam esta época festiva para serem o que realmente são encarnando a pele de uma personagem, que por diversos motivos não deixam submergir diariamente.

Na vida cada um constrói o seu Eu a partir do momento em que vivência em sociedade se torna real. Nos primeiros meses de vida tudo se resumo, de um modo global, ao meio familiar em que nasce. Desde esse momento começamos a ter consciência dos diferentes papéis que podemos ter na vida: filho, irmão, neto, aluno, amigo e outros.

 Durante a infância eu diria que o Eu que mais se salienta é o que corresponde à sua essência, por norma dizemos o que pensamos, falamos do que gostamos e do que queremos sem pesar tudo na balança do que a sociedade deseja de nós.

Os olhos do senso comum, do julgamento de uma sociedade mergulhada em falsas crenças está sobre cada um e quando o comportamento de alguém é diferente da maioria somos reprimidos, passamos por um processo de moldagem, onde a norma é o que a sociedade considera ser correto.

Há medida que crescemos, o que acontece a esse “EU” à essência de cada um? Transforma-se? Ou perde a sinceridade e originalidade em função daquilo que vamos adquirindo como sendo os comportamentos, atitudes e hábitos comum a todos os membros de uma sociedade?

Tenho a certeza que ambas as situações acontecem, se por um lado haverá quem pare para pensar em si, quem se centre em olhar para dentro, por outro lado haverá quem invadido por um misto de medo de se assumir e receio de não ser aceite, se deixa moldar.

Se assim se verificar, se nos deixarmos encaixar no molde do comum ser humano estarmos a usar uma máscara, a máscara da aceitação. Está será talvez a máscara mais pejorativa de usar, porque não estaremos a ser nós, apenas assumimos ser mais um.

Para quem se conhece na essência, sabe exatamente quem é, prima pela diferença e pela sinceridade de se assumir único. Este facto não quer dizer que estes seres não usem máscaras diversas na sua vida, sabem é usá-las de forma inteligente e em função dos diversos papéis que assumem na vida. Todos nós somos vários “EU”.

A máscara não tem de ser vista como um reflexo de falsidade, mas como o rasgo de inteligência de quem se conhece a ponto de se adaptar a cada momento, ganhando com a adequação do seu modo de falar, de agir, de conseguir passar o seu melhor de forma simples, concreta e com assertividade mas sem querer ser aquilo que não se é!

Se é correto ou não usar máscaras, cada um é livre de escolher o que pensa se melhor para si!

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