Há muito que o desânimo invadiu os corredores das escolas, há anos que o sistema educativo vem a sofrer cortes de dimensão económica, humana e social. Há muito que, a meu ver, se perdeu o respeito por serviço tão nobre como o do ensino! Ensinar é uma arte que necessita de engenho, dedicação e paciência que no equilíbrio com a educação trazida de casa, gera os alicerces de uma personalidade, que resulta do conhecimento formal e informal.

Eu sou dos que acredita que a educação é a base de um país e quando se desiste de investir nesta, está-se a desinvestir-se no sucesso e crescimento do mesmo.

Sinto que muitos dos docentes licenciados, mestres em diversas áreas do ensino, que frequentaram universidades autorizadas pelo ministério de educação, sobrevivem hoje apenas pelo gosto de ver crescer cada aluno no seu processo de aprendizagem! No entanto, entre o corpo docente crescem os sentimentos de opressão e desvalorização.

A questão da prova veio uma vez mais enfatizar essa situação, não só mas também pela forma como todo o processo tem vindo a ser conduzido!

De há uns anos para cá que se ouve falar da imposição de uma prova para testar capacidades docentes apenas para professores contratados, como meio de acesso à carreira.

O que está afinal em causa? A averiguação da capacidade pedagógica e de conhecimento dos docentes no sentido de melhorar a qualidade do ensino? Quem faz parte deste sistema, apenas os contratados?

Segundo quanto sei todos os docentes, quer façam parte do quadro ou não, frequentaram o ensino superior, foram avaliados e aprovados para o serviço, por uma série de métodos avaliativos ao longo da sua formação. E a propósito, porque não se ouvem opiniões por parte das Universidades que formam professores sobre esta questão?

Por outro lado, ao longo dos anos de trabalho todos os docentes, são “obrigados” a frequentar formação continua que os atualiza em termos de conhecimentos, quer sejam do quadro ou contratados.

Anualmente todos os docentes contratados são sujeito a uma avaliação de competências para o ensino por um método de aulas assistidas e classificados por um sistema de quotas instituído, que deixa a qualificação de muitos aquém do seu real valor. Então como se justifica a necessidade desta prova?

Os docentes estão notavelmente contra esta prova, primeiro porque são detentores de uma qualificação profissional, depois porque muitos deles trabalham como contratados há 5, 10, 15 anos, com avaliações positivas, sujeitos a deslocações constantes, à falta de estabilidade familiar e pessoal, com ausência de apoios de deslocação ou habitação, sentindo-se injustiçados. Injustiçados por até hoje terem sido úteis para o sistema e agora terem de prestar provas da sua competência.

A questão do pagamento da prova veio trazer mais um motivo de discórdia e alguma polémica também pela declaração do ministro, que considera que o valor não é elevado. Talvez não se tenha a noção real de que muitos docentes estão desempregados, sem qualquer subsídio ou apoio, com dificuldade de encontrar emprego em outras áreas, pois encaram a realidade de terem habilitações a mais ou experiência a menos para determinadas atividades.

Mais do que a revolta contra uma prova, esta revolta surge a meu ver, por mais uma vez se desrespeitar o serviço docente.

Concordo plenamente com o Sr. Ministro quando este afirma que a educação é

“É um trabalho que envolve todos. Envolve professores, envolve famílias, envolve apoio aos nossos jovens e envolve exigência da parte de todos”, mas nada disto é possível baseado em pedidos de esforços constantes, com atos de desrespeitos, com falta de motivação.

Esta era a altura de todos se unirem em torno do objetivo comum – a restruturação do Sistema Educativo deste país, para bem real dos alunos, longe de estatísticas mas perto do conhecimento real. Docentes à prova, para provar o quê?

MP

Por Mara Pereira - iPressGlobal
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