a possibilidade de fornecer a cada aluno os meios, as ferramentas para ser, aprender, crescer, e aos professores a possibilidade de prosperar na carreira, com ânimo, sentido de justiça e empenho.

A educação vive há muitos anos de profissionais, alguns que conseguiram chegar ao quadro e até atingir índices profissionais de topo e de contratados. Os que dão aulas há 10-15 anos (muitas vezes ainda como contratados), perderam a esperança da progressão na carreira, pois a forma como esta está hoje organizada não o permite. Resta-lhes uma vida profissional a contrato. Há alguns anos este contrato ganhou outros contornos passamos a ouvir falar de contratos a termo, talvez a forma de encurtar o tempo que o docente fica a serviço em cada ao lectivo. A vida de um professor contratado já tem tanto de incerto que este foi mais um meio de prolongar a suspensão do futuro no tempo.

Este contrato a termo tem afastado famílias, tem trazido problemas de saúde e inseguranças e sentimento de injustiça aos professores que servem o estado. É justo? Não me parece legítimo, quando comparado com o privado onde ao fim de três contratos consecutivos o docente passa a efetivo! As funções de um docente contratado são diferentes dos docentes do quadro, de modo que justifiquem a não passagem a igual situação profissional? Não, o professor contratado tem exatamente as mesma funções.

Esta situação tem vindo a ser discutida entre docentes e finalmente será assunto a ser revisto por intervenção da comissão europeia que aconselha Portugal a examinar a situação dos contratos a termo, no sentido de terminar com as desigualdades salarias e o trabalho precário!

Como reagirá o ministério da Educação a esta iniciativa por parte de Bruxelas? Confesso que aguardo com expectativa, uma vez que vem exatamente contra o corte de funcionários públicos que o governo tem vindo a efetuar!

 Esta será talvez o motivo que voltou a criar a esperança de justiça, que veio contribuir para continuação da luta pela dignidade da função docentes, nomeadamente a nível dos professores contratados que têm vindo a ser tocados pela obrigatoriedade de uma prova. Prova esta, que além de tudo, vem também instalar o mau estar entre colegas, uma  vez  que supostamente será corrigida, a pedido do ministério, pelos professores do quadro. Esta parece-me mais uma forma de desunir uma classe que agora mais do que nunca precisa de união.

A termo está a educação nestes moldes! A termo está o desrespeito por uma classe profissional que cumpre requisitos universitários e avaliações anuais! A termo está a educação voltada apenas para a redução de gastos!

Acredito porém que do meio de toda esta “destruição” imposta ao sistema educativo, renascerá a consciência da necessidade de transformações de um sistema e de uma classe, que há muito não se une de um modo coeso e resistente por fim comuns.

Por Mara Pereira - iPressGlobal
mara.pereira@ipressglobal.com
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