Não podemos negar que vivemos numa sociedade cada vez mais tecnológica, onde as redes socias ganham um destaque enorme na vida do individuo. Já pouca gente vive sem o computador, sem acesso à internet, ou sem perfil numa ou mais redes sociais! São muito poucos os chamados info-excluídos, talvez apenas os que pela idade já não se interessam por descobrir este mundo novo.

O avanço destas tecnologias veio facilitar a vida, no sentido em que permitem o rápido acesso à informação, a comunicação imediata, a ligação entre pessoas que estão longe, a compra de todo o tipo de produto em qualquer parte do mundo, à distância de um clique. Trouxeram a potencialidade de agilizar a vida das pessoas com alguma deficiência, doença, ou situação impeditiva de deslocação, o que para mim é uma das funcionalidade mais direta e benéfica destas tecnologias.

No entanto, há quem acredite que esta revolução tecnológica arrasta consigo o fenómeno do isolamento social.

Não sei, mas atrever-me-ia a afirmar que este tipo de tecnologias pode gerar uma nova visão dos relacionamentos, trazendo um isolamento físico. Na medida em que a possibilidade de estar em contacto constante com o outro, nos faz estar mais presente e partilhar opiniões e ideias, ultrapassando a barreira da timidez que o olhar direto do outro poderia trazer.

Acredito porém que a vivência social, tal como era vista, no tempo dos nossos avôs, mudou definitivamente. As pessoas vivem longe do toque, do abraço, das risadas em conjunto, dos convívios olhos nos olhos, das tardes de domingo passadas ao sol.

Para os que como eu, viveram antes desta invasão massiva de tecnologia, existe a noção de partilha de vida, de amizade presente, de brincadeiras ao ar livre, de telefonemas para desabafar, de hábitos de vida social, que não fossem as horas passadas na escola, muitos dos mais novos não teriam noção.

Esta geração que nasceu na era da tecnologia não reconhece o outro lado da moeda e vive  verdadeiramente confinada a um mundo revestidos de telemóveis, de tecnologias de última geração, Ipads e redes sociais, não estará entre os mais novos a crescer o tal isolamento social?

Preocupa-me o facto de estas tecnologias possam impedir o diálogo em família, entre pais e filhos e que estas sejam usadas como arma de negociação de comportamentos e forma de distração. Já assisti a pais que em pleno café e no sentido de sossegarem os filhos sem que para isso lhes tenham de dar atenção, lhes dão para a mão o telemóvel, e isso sim assusta-me.

O outro lado da moeda é este que estabelece uma relação de desconhecimento entre pais e filhos, entre amigos que apesar de juntos fisicamente estão colados a um ecrã.

O segredo está na capacidade de mediar o uso destas tecnologia sem se perder aquilo que faz de nós humanos, o contacto, o relacionamento social.

Por Mara Pereira - iPressGlobal
mara.pereira@ipressglobal.com
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