40 anos de Liberdade, 40 anos de 25 de Abril, 40 anos de recordações de um dia marcante para quem viveu o antes e depois desse acontecimento.

Um antes que eu não vivi e do qual apenas ouvi relatos emocionados e documentário do que terá sido o dia em que em Portugal nasceu a Liberdade.

Certamente a forma como os que já nasceram depois do 25 de Abril vêm o conceito de liberdade será bem diferente das que com ela se cruzaram em 1974.

É esta relatividade de entendimento e conceção deste conceito que me faz pensar se ela foi realmente alcançada ou se apenas ganhamos a palavra e a ideia de que a partir daquele instante seriamos efetivamente livre.

Livres de dizer, livres de agir, livres de pensar, enfim livres….e o que fizemos com essa liberdade, pergunto? Soubemos usá-la? Soubemos respeitar os limites da linha que separa a nossa das que nos rodeiam? Soubemos exercer uma cidadania ativa que passa pela ação efetiva ou ficamos pelos discursos derrotistas?

Soubemos entender a diferença entre a não submissão e independência e a condição de um comportamento humano espontâneo?

Ás vezes sinto que passamos de um extremo ao outro, passamos a dizer tudo o que pensamos, ostentando um discurso marcado pela certeza incerta de que sabemos mais. As mulheres ganharam diversos direitos com a democracia, mas continuam submissas a violência domestica e a desigualdades salariais. O desrespeito pelo outro mantém-se e a facilidade com que se agride, mal trata e se mata no país está agora aos olhos de todos.

Ganhamos liberdade e continuamos a lutar por mantê-la e construi-la à luz da mudança social ou mantemos teimosamente a recordação de um antes, espelhado num hoje que já não se revê no ontem?

A liberdade exige a meu ver o esforço constante e consciente de respeitar, aceitar a diferença de opinião, de exercer a cidadania ativa, de se envolver nos meios políticos e sociais que busquem respostas para as necessidades de um país que se manifesta mas não age.

A liberdade tem de ser alimentada para que o 25 de Abril de há 40 anos possa ter nas próximas gerações o valor democrático que conquistou.

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