Espanta-me (não no bom sentido) a capacidade incessante que a maioria dos adultos tem de querer ter sempre razão. Perdem-se em justificações e argumentos para ficar em posição de superioridade, mesmo quando falamos de doenças!

Quem nunca ouviu a célebre conversa entre conhecidos:

– “Ai hoje acordei tão mal, dói-me um braço”

– “E eu? Nem imaginas! Não consigo caminhar bem com dores nas pernas e dói-me as costas!”

A necessidade de ter mais do que outro, mesmo que “esse mais” seja de algo menos agradável, parece algo institualizado.

Há uma tendência para o estigma do “coitadinho” pois os que andam sempre bem-dispostos, os que enfrentam a vida com um sorriso (por pior se ela se apresente) são considerados uma espécie de tresloucados, inconscientes. A velha crença de quem sorri, quem é feliz, quem está bem-disposto vai acabar a atrair alguma desgraça, ainda persiste. Pensei que essa ideia estranha e pré-concebida era coisa de “antigamente” mas apercebo-me que não!

Questionemos tudo isto! Interroguemos o cultivo da negatividade e falemos da necessidade de ser superior. Contestemos de que vale insistir na razão. Questionemos a relatividade da verdade!

Há que aprender a respeitar sem julgar, o dono da verdade existirá?

Talvez seja altura de deixar de pensar que o mundo gira à nossa volta, que a chuva cai para nos chatear, que o trânsito só lá está porque nós lá estamos, que sempre que algo de menos bom acontece é para nos castigar!

A realidade é que cada um vê o mundo com os seus olhos, cada um tem a sua verdade baseada nas suas experiências, cada um faz as suas escolhas. A positividade realista poderá ser um meio de transformar problemas em situações, medos em confiança, realidade em vida!

De que vale ser dono da verdade?

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