Viver em comunidade é na sociedade atual um tema interessante, que merece a atenção daqueles que acreditam em outros modos de vida como forma de superar crises pessoais e até de um país.

O facto é que viver em sociedade não é exatamente o mesmo que viver em comunidade, pelo menos na minha visão. A sociedade sobrevive tendo em conta uma série de leis e condutas pré estruturadas que implicam o mínimo de respeito pelo semelhante, no entanto, as questões de solidariedade, partilha e comunhão não podem ser regidas por leis. De um modo simplista ou rude podemos dizer que socialmente, crescemos com uma visão do que podemos ou não fazer, para cumprir os nossos deveres de cidadão, mas nem sempre percebemos o verdadeiro significado de pertença, de colaboração, da simplicidade de existir.

Nas famílias onde a vivência comunitária poderia ser forte nem sempre é esta a atitude assumida e ensinada às novas gerações. Quantas famílias, são apenas aglomerados de pessoas que convivem e se conhecem? Partilham o espaço, mas não se disponibilizam para unir forças em torno de objetivos comuns, assumindo que as situações de cada membro familiar são de todos e que cada um pode ajudar a resolver. E esta realidade é evidente em situações que me deixam incrédula, pais que não sabem que curso fazem os filhos, filhos que não conhecem a história de vida dos pais, pessoas do mesmo sangue que não disponibilizam tempo para escutar os outros. Se isto acontece em família, como queremos instituir valores comunitários a grupos alargados de pessoas?

Mas como em tudo á exceções, há verdadeiras famílias, há pessoas que começam a questionar outras formas de vida, há aqueles que crescer com o verdadeiro sentido de comunidade. Um fenómeno ainda pouco evidente no nosso país mas que reflete uma prática real da vida em comunidade são às eco comunidades, ou a vida nas pequenas aldeias, onde devido ao pequeno número de habitantes e ao distanciamento do meio mais desenvolvido, faz crescer uma cumplicidade maior entre todos.

Será que aprender a viver em verdadeira comunidade poderá dar respostas a várias situações atuais, de consumismo exagerado, de respeito pela outro, pela natureza, de trabalho em equipa para obter um bem comum a todos? Talvez sim, não sei, fica a questão no ar.

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