Viver! Viver era suposto ser uma dádiva aceite com gratidão a cada dia. Assumir a liberdade e a alegria de estar vivo era presumível ser um dado adquirido, sem hesitações ou desagradecimento.

O simples acordar era no tempo dos nossos avós motivo suficiente para agradecer, assim como ter um prato de sopa e saúde para trabalhar.

 A mudança dos tempos trouxe um crescimento da ambição no ser humano, se para alguns a ambição funciona como meio impulsionador de seguir sonhos, para outros ela torna-se no motor da sua vida. A ambição material desmedida faz com que se perca a noção de vida presente e se passe a viver em constante antecipação de um futuro.

O que me leva a questionar se isso é viver? A noção de que a vida pode ter um fim a qualquer instante reforça a ideia de viver o presente ao máximo, deixando as dores do passado para trás e às angústias do futuro para depois. Com isto, não quero afirmar que não devemos ambicionar ter boas condições de vida. Apenas confirmo que não vale a pena sobreviver, que não é bom passar por cima dos nosso princípios, nem esquecer as relações humanas para atingir as nossas metas.

Se uns aceitam a vida como uma dádiva e entendem as experiências como oportunidades simples de aprendizagem, aceitando cada momento como ultrapassável e como um motivo para agradecer, outros vêem a vida como um fardo pesado de aceitar.

Restringir as nossas vivências é travar os nossos sonhos por achar que jamais seremos capazes de os realizar. Assumir que somos nós que nos limitamos no processo de vida não é evidente e aceitável para todos. A postura de vítima faz com que arranjemos culpados exteriores a nós. “Os outros não apoiam as nossas ideias”, “não há dinheiro para investir”, “falta tempo para implementar os nossos projetos”, estas são apenas algumas das ideias pré concebidas que nos levam a fechar no fantasma do medo.

Quando por um instante aceitamos que o atingir dos nossos objetivos depende em grande medida das nossas ações de confiança e gratidão, as portas do futuro abrem-se e passamos a perceber que viver vale a pena, que investir em nós vale a pena, que o futuro valerá a pena se o presente for apreciado

Viver é aceitar que a vida tem um início e um fim, é desfrutar ao máximo cada instante, é aceitar as nossas forças e fraquezas, é amar a nossa capacidade única de ser.

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