Os estrangeiros a trabalhar em Portugal têm um baixo nível de educação, emigraram por estarem desempregados, são tão pobres como os portugueses, mais de metade fala a língua local e 17% sentem pertencer a um grupo discriminado, segundo a OCDE.

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre imigração e integração de imigrantes, hoje divulgado, refere-se principalmente a 2009, quando estavam em Portugal 673 mil estrangeiros a trabalhar, o que representava 6,3% da população.

A quase totalidade de estrangeiros tinha entre 15 e 64 anos (90%), e a maior parte dos filhos de imigrantes (91,7%) tinha pais africanos. Cerca de 24% chegaram a Portugal na década de 1990.

No retrato da situação dos imigrantes nos países da OCDE, Portugal aparece em último lugar, no que respeita ao nível de educação, na faixa etária entre 15 e 64 anos.

A proporção de homens imigrantes licenciados desceu “significativamente”, segundo os números da OCDE, estando Portugal em quarto lugar, mantendo-se, porém, a situação estável entre as mulheres.

Em Portugal, tal como em França, cerca de 40% dos imigrantes disseram ter chegado antes de completar 15 anos, 25% saíram do seu país devido ao desemprego, 23% vieram juntar-se à família e somente 3% vieram estudar.

A população que mantém a nacionalidade do país onde nasceu atinge 31% em Portugal, que tem “uma grande percentagem” de imigrantes nascidos em África (45%), principalmente em Angola, Cabo Verde e Moçambique, e na América Latina (Brasil).

A OCDE salienta, aliás, que subiu o peso dos imigrantes vindos de países que falam português, atingindo 65% do total de não nacionais, em 2009.

Nesse ano, a taxa de emprego era de 70% para os estrangeiros e de 60% para os nacionais, e foi mais alta entre homens, sendo Portugal, no entanto, o terceiro país da OCDE com maior taxa de emprego feminino.

A taxa de desemprego entre os 15 e 64 anos é pouco mais alta entre os imigrantes, e um em cada três imigrantes empregados tem um trabalho temporário. Em Portugal, dois terços dos imigrantes com educação superior estão em empregos para os quais têm qualificações a mais.

Quanto à obtenção de nacionalidade portuguesa, no período entre 2000 e 2004, a média anual foi de 1.253, um número que cresceu para 24.478 em 2010, representando 5,4% da população, segundo a OCDE.

Portugal está no grupo dos países em que os lares com, pelo menos, uma pessoa imigrante, se situam entre 40 e 50% do total.

No conjunto dos países OCDE, em média, 17,3% dos imigrantes estão em risco de pobreza contra 15% da população nacional. Em todos os países, a taxa de pobreza é mais elevada entre os imigrantes, com exceção de um grupo de seis países, entre os quais Portugal, onde as taxas de risco de pobreza são “comparáveis”.

Em 2008, a pobreza atingia 14,4% das pessoas a viver em agregados familiares com imigrantes, e 20% viviam em casas sobrelotadas, valores que descem para metade entre os nacionais.

Entre 2002 e 2010, cerca de 17% dos imigrantes dos 15 aos 64 anos consideravam pertencer a um grupo que é, ou foi, discriminado devido à sua etnia, nacionalidade ou raça. Esta percentagem sobe acima de 20% quando os estrangeiros vêm de países mais pobres.

Quanto à educação, as diferenças na leitura entre imigrantes e nacionais é mais acentuada em países do sul da Europa, como Portugal.

Por outro lado, os conhecimentos dos filhos de imigrantes, já nascidos no país, “é particularmente baixo” em Portugal e Espanha, onde mais de metade deles completaram, na melhor das hipóteses, o ensino secundário, comparado com 40% dos imigrantes com idade entre 25 e 34 anos.

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