Este modelo norte-americano de eleições primárias para a indigitação de personalidades para cargos políticos, que se distingue dos restantes por ser um processo aberto a simpatizantes, é aplicado pela primeira vez em Portugal.

Cerca de 250 mil simpatizantes e militantes socialistas escolhem hoje entre o secretário-geral António José Seguro e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, o candidato do PS a primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas.

Este modelo norte-americano de eleições primárias para a indigitação de personalidades para cargos políticos, que se distingue dos restantes por ser um processo aberto a simpatizantes, é aplicado pela primeira vez em Portugal, depois de experiências já realizadas em partidos socialistas ou da esquerda-democrática em França e Itália.

Se o atual secretário-geral do PS vencer as eleições primárias, António José Seguro será confirmado como candidato a primeiro-ministro pelos socialistas nas próximas legislativas e, como tal, o calendário interno deste partido poucas alterações terá.

Se for o presidente da Câmara de Lisboa a vencer as primárias, António José Seguro já fez saber que se demitirá da liderança e, nesse caso, Costa quererá convocar o mais rapidamente possível eleições diretas para o cargo de secretário-geral e um congresso extraordinário do PS.

As eleições primárias foram uma iniciativa lançada por António José Seguro no final de maio, após António Costa se ter mostrado insatisfeito com a dimensão do triunfo do PS nas eleições europeias e de se ter manifestado disponível para avançar para a liderança deste partido.

Seguiram-se três meses e meio de uma dura e intensa luta interna entre os apoiantes de António José Seguro e António Costa, que teve como um dos raros momentos de consenso a eleição do ex-ministro socialista Jorge Coelho para a presidência da comissão eleitoral das primárias.

No debate político, António José Seguro acusou António Costa de ter precipitado o PS numa crise interna após uma derrota eleitoral da coligação PSD/CDS, tendo adotado como um dos lemas de intervenção a separação entre política e negócios, sugerindo que os interesses, na sua generalidade, no caso do PS, estavam ao lado do presidente da Câmara de Lisboa.

António Costa, por sua vez, alegou que se candidatou “por imperativo de consciência”, alegando que “à derrota histórica da direita” nas europeias não correspondeu uma vitória com a mesma dimensão por parte do PS.

No plano interno, o presidente da Câmara de Lisboa fez sem sucesso cerrada oposição ao “demorado” calendário proposto pela direção do PS, com eleições primárias apenas a 28 deste mês, tendo defendido, em alternativa, que a questão interna dos socialistas fosse fechada por via de diretas para o cargo de secretário-geral, às quais se seguiria um congresso extraordinário até ao final de julho.

A tensão entre Seguro e Costa esteve depois bem patente nos três debates televisivos que travaram este mês, com a generalidade dos observadores políticos a concluir que foram marcados mais por trocas de acusações de caráter do que pela apresentação de propostas para o país.

Agência Lusa
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