foto: António Pedro Santos / Lusa

Marta Temido disse, esta sexta-feira, que Portugal espera receber cerca de 1,2 milhões de doses da vacina da Pfizer-BioNTech entre este mês e o primeiro trimestre de 2021.

“Desconhecemos ainda com certeza se acontecerão num único momento ou em várias semanas destes meses. São 312.975 (doses) no acumulado de dezembro e janeiro, 429 mil doses em fevereiro e 487.500 em março, ou seja, um total de 1,2 milhões de doses, se se confirmarem as entregas da Pfizer ao longo do primeiro trimestre. Mas insisto que depende da produção e distribuição de entidades terceiras e temos de acompanhar”, frisou.

Em declarações numa audição conjunta da comissão parlamentar de Saúde com a comissão eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da covid-19 e do processo de recuperação económica e social, Marta Temido assumiu ainda “grandes expectativas no processo das vacinas da Moderna e da AstraZeneca”, embora tenha reconhecido que estão numa etapa mais atrasada de lançamento no mercado.

Quanto ao arranque da vacinação, a governante reiterou que a chegada das primeiras doses “está prevista para 26 de dezembro e o que o país está preparado para começar a vacinar no dia 27”, lembrando que as datas acompanham os outros estados-membros da União Europeia e que a decisão de lançar a vacinação entre os dias 27 e 29 representa um “sinal importante de capacidade dos vários países de trabalharem em conjunto”.

A ministra assegurou que o país tem uma capacidade “muito significativa” ao nível da administração de vacinas e realçou também que o Centro Hospitalar Lisboa Central e o Hospital de São João poderão não ser os únicos a receberem vacinas do primeiro lote previsto para este mês.

“São dois hospitais que estarão neste primeiro lote, mas não quer dizer que sejam os únicos. A vacinação será facultativa. Além da identificação dos profissionais de saúde que trabalhem nesses hospitais e sejam elegíveis, a vacinação depende do interesse que os próprios tenham em ser vacinados ou não nesse primeiro momento, que é o primeiro de um processo que vai ser exigente”, concluiu.

Utentes devem contactar SNS se não forem chamados

“O sistema vai contactar as pessoas que, pela condição de idade e comorbilidades, sejam elegíveis para a vacinação. Sabemos que não vamos conseguir alcançar todos. Quem não for contactado, poderá contactar o SNS, essa é sempre uma possibilidade”, adiantou a ministra que, confrontada pela deputada Ana Rita Bessa, do CDS, admitiu também já ter tido “dificuldades” no contacto com o centro de saúde.

“Como utente, tive essa experiência, mas estamos a melhorar. Estamos a investir na melhoria das centrais telefónicas e dos centros de contacto”, reiterou.

Temido rebateu ainda as críticas do deputado Moisés Ferreira, do Bloco de Esquerda, sobre a alegada ausência de reforço de meios humanos no SNS, considerando essa acusação “uma ficção” e avançando com o exemplo dos enfermeiros, que terão aumentado de cerca de 45,8 mil, em novembro de 2019, para aproximadamente 48 mil um ano depois.

“Temos tentado trazer mais profissionais de saúde e transformar os acordos provisórios em definitivos”, sentenciou.

Ministra recusa dizer prazo para imunidade de grupo

“Se algum membro do Ministério da Saúde disser que é garantido que a vamos atingir em maio, junho ou julho não é com base em factos porque não temos informações para isso. Temos de ser muito sérios. Não quero passar mensagens incorretas”, afirmou Temido.

A governante afirmou que a exigência vai manter-se nos próximos meses e que “a esperança da vacina tem de ser acompanhada da manutenção de medidas cautelares”, reiterando a decisão de iniciar a vacinação nos centros de saúde porque “vacinar é um ato de saúde e tem de ser pelos profissionais que têm formação”.

Marta Temido abriu a porta à vacinação em espaços das autarquias numa fase mais avançada do processo, quando a operação de inoculação da população portuguesa contra a covid-19 já se encontrar “numa realidade mais lata e ampla”.

Questionada ainda sobre a circulação de dados clínicos dos utentes entre os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), a ministra assegurou que “toda a regulamentação” a nível de proteção de dados será “respeitada” e que estão a ser utilizados “vários sistemas que existem no Serviço Nacional de Saúde para poder fazer a identificação das pessoas que vão ser vacinadas” nos centros de saúde.

Testes de diagnóstico já superam os cinco milhões

Entre os números destacados pela ministra da Saúde está também a realização de testes de diagnóstico ao novo coronavírus, nos quais Portugal já ultrapassou os cinco milhões desde o início da pandemia, em março.

Mais de 5,1 milhões de testes foram já realizados no sistema de saúde português, numa intensa colaboração das áreas que o compõem. Uma rede que hoje conta com 128 pontos de realização de testes laboratoriais e que foi completada com testes rápidos de antigénio. Hoje temos um total de 81 pontos de realização de testes rápidos de antigénio.”

Paralelamente, Temido vincou que o número de consultas em cuidados de saúde primários até outubro era de 26,3 milhões, em linha com as estatísticas do período homólogo de 2019: 26,5 milhões. “É muito encorajador, na medida em que mostra a resiliência dos cuidados de saúde primários”, notou.

A governante sublinhou a realização de 9,2 milhões de consultas em cuidados hospitalares até outubro, quando tinham sido feitas 10,3 milhões no mesmo período em 2019, e cerca de 474 mil intervenções cirúrgicas, menos 100 mil em relação ao ano passado.

Já sobre a reserva estratégica nacional, a ministra da Saúde assegurou que o país assegurou “58 milhões de máscaras cirúrgicas, das quais 14 milhões de FFP2 e FFP3 e 22 milhões de luvas cirúrgicas”, além de outros equipamentos de proteção individual.

Quanto à aplicação StayAway Covid, Temido informou que já “teve mais de 2,8 milhões de downloads e vários códigos inseridos, mas não tantos quanto gostaríamos”, afirmou.

Em Portugal, morreram 5977 pessoas dos 366.952 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

ZAP // Lusa

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