Foto: O.I.N. / Wikimedia  //

A Moody’s – a única que mantém o rating de Portugal em “lixo” – avisa que a dívida continua “muito elevada” e que Portugal vai continuar vulnerável nos mercados.

 Embora elogie a gestão ativa que tem sido feita da dívida pública, através dos reembolsos antecipados ao FMI, a agência Moody’s deixa um aviso a Portugal: “os níveis totais de endividamento continuam comparativamente muito elevados, em cerca de 127% do Produto Interno Bruto (PIB)”.

Segundo o Observador, é por este motivo que a agência acredita que as taxas de juro de Portugal nos mercados financeiros “vão provavelmente, continuar a ser mais sensíveis a alterações nas tendências entre os investidores, em comparação com outros países periféricos”.

A Moody’s só tem agendada uma atualização ao rating português para 20 de abril. Esta agência é a única entre as quatro maiores agências de rating que continua a atribuir à dívida portuguesa uma classificação de “alto risco”.

Apesar deste alerta, a Moody’s reconhece que os reembolsos antecipados ao FMI, substituindo essa dívida por obrigações emitidas a juros mais baixos no mercado, “melhoraram a resiliência da dívida face a possíveis desenvolvimentos no mercado”.

De acordo com a agência, a composição atual da dívida pública faz com que mesmo que as taxas de juro no mercado subam, o impacto será limitado sobre o custo total da dívida, que está em cerca de 3% (era 4,1% em 2011).

No entanto, segundo o mesmo jornal, comparativamente a outros países, Portugal será umdos mais vulneráveis caso se altere o clima sereno que tem existido nos mercados de dívida nos últimos anos, desde que o Banco Central Europeu (BCE) começou a intervir nos mercados com a compra de títulos de dívida pública (e privada) aos investidores.

Envelhecimento da população pode pesar no rating

O envelhecimento da população portuguesa e a pressão que exerce sobre as contas públicas – nomeadamente sobre a saúde – traz desafios que podem prejudicar a avaliação do rating do país, alerta ainda a Moody’s.

A agência de notação financeira lembra que a maioria dos países da União Europeia vai estar “superenvelhecida” em 2030, com mais de 20% da população a ter 65 anos ou mais, o que trará desafios aos serviços públicos de saúde e de Segurança Social.

Segundo a Moody’s, que cita projeções da Comissão Europeia, Portugal, Malta, Eslováquia e Croácia são os países que vão assistir mais rapidamente a pressões do envelhecimento sobre os serviços de saúde.

“A forma como os Governos adaptam os seus sistemas de cuidados com a saúde ao envelhecimento da população vai tornar-se cada vez mais importante para a nossa avaliação orçamental e, em última análise, para a análise das dívidas públicas”, avisa a analista da Moody’s Kathrin Muehlbronner, em comunicado.

Embora admita que alguns países iniciaram algumas reformas para melhorar a eficiência com os sistemas, a Moody’s considera que são necessárias mais reformas para acomodar o impacto orçamental da pressão sobre a despesa pública com o envelhecimento.

ZAP // Lusa

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