O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu nesta terça-feira, aos 58 anos, num hospital militar em Caracas, na sequência de complicações após a quarta operação ao cancro, anunciou o vice-presidente Nicolás Maduro.

“Às 16h25 [21h25 em Lisboa] morreu o Presidente comandante Hugo Chávez. A toda a sua família transmitimos a nossa dor e a nossa solidariedade”, disse Maduro, que a imprensa venezuelana descreve como emocionado. “É uma tragédia histórica aquela que hoje toca a nossa pátria. Apelamos a todos os nossos compatriotas a serem os vigilantes da paz, do amor e da tranquilidade da pátria. Queridos compatriotas, muita coragem, temos que crescer por cima desta dor”, afirmou.

Nicolás Maduro, designado pelo próprio Chávez como seu sucessor, mobilizou as Forças Armadas e a polícia para “proteger a paz do povo venezuelano”. Os chefes militares, por sua vez, já se afirmaram fiéis a Maduro, que deverá disputar as eleições presidenciais com o líder da oposição, Henrique Capriles, que perdeu a disputa eleitoral com Chávez em Outubro. Sondagens recentes davam a vitória a Maduro.

Fotografias e vídeos da agência Reuters mostram venezuelanos na rua a chorar, abraçados e a agitar bandeiras.

Chávez era Presidente da Venezuela desde 1999. Foi reeleito em Outubro, mas não chegou a tomar posse. Há muito que se especulava sobre o seu estado de saúde e a oposição já estava a preparar-se para novas eleições presidenciais, que agora terão mesmo de se realizar. A constituição prevê que a presidência seja assumida interinamente pelo presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, que tem de convocar eleições no prazo de um mês.

Nesta terça-feira, numa intervenção em directo na televisão pública, Nicolás Maduro tinha anunciado a expulsão de um diplomata dos Estados Unidos da América, acusado de conspiração para propagar rumores sobre a morte de Chávez e de ter tentado contactar antigos militares, afectos ao regime anterior à revolução chavista. Maduro acusou ainda os “inimigos” da revolução de terem provocado o cancro do Presidente venezuelano.

Barack Obama reagiu em comunicado à morte do líder da Venezuela, afirmando que “os Estados Unidos reafirmam o apoio ao povo venezuelano e o interesse em desenvolver uma relação constructiva com o Governo vezenuelano”. A nota acrescenta que “quando a Venezuela começa um novo capítulo na sua história, os EUA permanecem empenhados em políticas que promovam os princípios democráticos, o Estado de direito e o respeito pelos direitos humanos”.

Após as operações em Cuba, Chávez voltou à Venezuela a 18 de Fevereiro, altura em que publicou o seu último tweet. O regresso à pátria foi visto por alguns como sinal de uma melhoria no estado de saúde do Presidente e uma forma de finalmente tomar posse, mas outros analistas viram nesta viagem um sinal de que a doença ganhava a batalha.

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