foto : Aargambit / Wikimedia

Um eurodeputado polaco afirmou, esta quarta-feira, num debate no Parlamento Europeu, que as mulheres devem ganhar menos do que os homens porque são “mais fracas e menos inteligentes”.

O eurodeputado polaco Janusz Korwin-Mikke, já conhecido pelos seus polémicos comentários racistas, xenófobos e anti-semitas, voltou a dar que falar esta quarta-feira, escreve o El País.

Durante um debate no Parlamento Europeu sobre a desigualdade salarial, o polaco defendeu que as mulheres devem ganhar menos porque são inferiores aos homens.

Recorde-se que as mulheres na UE ganham em média menos 16% do que os homens.

“Sabem que posição ocupavam as mulheres nas Olimpíadas gregas? A primeira mulher, digo-vos eu, ocupou a posição 800”, disse aos colegas.

“Sabem quantas mulheres há entre os primeiros cem jogadores de xadrez? Eu digo: nenhuma. Então, é óbvio que as mulheres devem ganhar menos do que os homens porque são mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes“, cita o jornal espanhol.

Para contestar as declarações do polaco, que é independente desde 2014, a eurodeputada do PSOE Iratxe García pediu de imediato a palavra.

“Segundo as suas teorias, eu não teria o direito de aqui estar como deputada. Sei que lhe dói e que o preocupa que hoje as mulheres possam representar cidadãos em direitos de igualdade. Venho aqui defender as mulheres europeias de homens como o senhor“, afirmou a eurodeputada espanhola.

Também o eurodeputado italiano Gianni Pittella pediu, esta quinta-feira, que o colega levasse “uma sanção exemplar”, por causa das “vergonhosas declarações que vão contra os princípios de igualdade de género desta casa”, cita o El País.

O presidente do Parlamento Europeu, o também italiano Antonio Tajani, já anunciou uma investigação ao político polaco.

De acordo com o diário espanhol, este comentário não é um caso isolado. Em 2012, foi sancionado por comentários ofensivos contra os negros e, em 2015, por entrar no hemiciclo a fazer a saudação nazi, o que lhe custou uma multa de três mil euros e a perda de dez dias do seu salário.

O candidato de extrema-direita também chamou aos refugiados “lixo humano”, já lamentou que as mulheres pudessem votar uma vez que, na sua perspetiva, têm menos conhecimentos políticos do que os homens, pôs em dúvida denúncias de violação e já questionou se Hitler saberia mesmo dos planos para exterminar os judeus.

Korwin-Mikke, defensor da monarquia e da pena de morte, já foi candidato à presidência do seu país em 2015. A sua chegada ao Parlamento Europeu, em 2014, aconteceu com 7,2% de votos e um surpreendente apoio de eleitores mais jovens: 28,5% dos polacos que votaram em si tinham entre 18 e 25 anos.

ZAP //

COMPARTILHAR

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor introduza o seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.