Artigo escrito por joao.raposo@reorganiza.pt, partner da Reorganiza, para o idealista/news, no âmbito da rubrica “Trocado por Miúdos”.

Estamos inundados de notícias sobre o nível de endividamento dos portugueses. Recentemente saiu mais um estudo em que se afirma que o nível de incumprimento no crédito à habitação é o maior desde 2011.

Se já estás em incumprimento, ou mesmo antes de cair nesta situação, vê aqui três passosque podem ser uma importante ajuda para corrigires esta situação:

1º passo: verifica o ponto de situação de todos os teus créditos

Podes achar que é uma tarefa trabalhosa ir verificar cada um dos créditos que tens, mas não é. Felizmente que não tens de ir recolher esta informação junto de todos os bancos e/ou instituições financeiras com quem tens financiamento. Hoje em dia podes consultar esta informação de forma centralizada. Para isso basta ires ao Banco de Portugal e solicitar o mapa de Responsabilidades de Crédito. Acede a www.bportugal.pt e no menu do lado direito tens o ícone “Mapa de Responsabilidades de Crédito”. Ao clicares neste ícone vai ser solicitado o teu número de contribuinte e a senha de acesso ao portal das Finanças. Depois de estares registado é devolvido um pdf com todos os créditos que tens.

2º passo: negoceia com os diferentes credores

A negociação com os credores pode ser feita diretamente por ti ou podes contratar consultores especializados em negociação. Para negociar as dívidas é necessário saber como funciona cada um dos credores, nomeadamente as soluções que oferecem e a documentação que é necessária para a análise de cada caso. Regra geral a documentação solicitada é muito semelhante entre eles, contudo, há alguns que têm formulários próprios que tens de solicitar para ser feita uma análise ao abrigo da legislação do PARI/PERSI. PARI significa Plano de Ação para o Risco de Incumprimento e PERSI já é para clientes que queiram Regularizar Situações de Incumprimento. Esta legislação foi criada a pensar em todos os que estão em dificuldades para cumprir com suas responsabilidades financeiras e deves aproveitar esta proteção ao devedor para corrigir situações de incumprimento.

Há diferentes soluções que podem sair do processo de negociação, nomeadamente a redução da taxa de juro, uma consolidação interna das responsabilidades junto de um credor, atribuição de períodos de carência, alargamento de prazo, entre outras soluções. Oimportante é estares focado em reduzir a prestação. É óbvio que muitas vezes a negociação implica que no final do contrato o crédito saia mais caro, mas a questão que deves ter em mente é que o sucesso da negociação pode ser a diferença entre cumprires, ou não, com as responsabilidades de crédito mensais. Além disso, procura sempre avaliar a poupança de um mês multiplicada por 12. Algumas pessoas não aceitam determinadas negociações porque representam “apenas” uma redução de 30 euros na prestação, mas este valor é equivalente a 360 euros num ano, o que poderá ser o valor necessário para não deixar nenhuma prestação em atraso.

3º passo: canaliza a poupança obtida para liquidar o crédito mais caro

Deves ser muito criterioso na utilização do valor referente à poupança obtida com a negociação. O pior erro que podes cometer é utilizar essa poupança para voltar a um estilo de vida mais desafogado. Claro que o objetivo é ter maior folga orçamental, mas não te esqueças que a motivação da negociação é para acabares com as dívidas. Se após a negociação não utilizares esse dinheiro para acabares com as dívidas, provavelmente o que fizeste foi empurrar as dívidas para a frente.

O conselho que deves seguir é de canalizar o valor poupado para liquidar as dívidas com as taxas de juro mais elevadas. Imagina que após a negociação do teu crédito à habitação ficaste a usufruir de um período de carência de capital nos próximos 24 meses. O melhor que tens a fazer é utilizar o valor dessa poupança, ou pelo menos parte dele, para amortizares antecipadamente um crédito pessoal com uma taxa de juro de 15 ou 16%, ou mesmo um cartão de crédito que deverá estar com uma taxa de juro superior a 20%. Desta forma, quando terminar o período de carência e voltares a pagar a prestação mais elevada, já não tens tantas linhas de crédito a pesarem no teu orçamento familiar.

As dívidas podem e devem ser negociadas! Há mecanismos legais que te ajudam e tens empresas que podem ser tuas parceiras neste processo. Não deixes para amanhã este exercício, pois quanto mais tempo deixares passar mais difícil poderá ser uma boa negociação.

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