“Agradeço à vida – e, porventura, aos genes de que fui herdeiro – nunca, ao longo dos anos, me ter aborrecido, desanimado, ficado deprimido, entrado em stress. Não tenho nenhuma razão para me queixar, bem pelo contrário. Recebi muito mais da vida do que, pobre de mim, lhe terei dado. Devo tudo o que sou aos outros! Não tenho contas a ajustar com ninguém. Estou sereno, confiante, realizado, feliz. Amén!

Fonte: Soares – O Presidente de Maria João Avillez, edição Público, 1997

Morreu Mário Soares, um dos nomes maiores da História de Portugal do século XX. É difícil exprimir o sentimento de perda perante o desaparecimento de Mário Soares, o verdadeiro fundador do regime democrático, que a ele deve praticamente tudo. Esteve, como mais ninguém, no centro de todas os artifícios em que a História colocou o país ao logo de toda a sua vida.

Foi o verdadeiro fundador do regime democrático, foi simultaneamente a maior figura da oposição ao regime anterior, o político combativo que enfrentou na rua a deriva totalitária durante a revolução.

Responsável pela fragmentação da extrema-esquerda, deslocando-a para o centro, hábil na relação com a igreja, evitando assim um conflito religioso no Portugal revolucionário, e finalmente o homem que comandou a integração de Portugal na Europa.

Nunca foi uma figura consensual entre os portugueses, como é prerrogativa dos grandes nomes da História, daqueles que deixam a sua marca como Mário Soares!

Três vezes primeiro-ministro, duas vezes presidente da república, Mário Soares é seguramente a maior figura política nacional a quem o Portugal democrático mais deve.

Com ele desaparece uma geração de grandes políticos, dos que se movem por causas ideológicas, daqueles que tanta falta fazem num mundo político cada vez mais vazio de convicções!

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