Cavaco adiou o mais que pode dar posse a um governo PS, com coligações à esquerda. Tentou retardar a situação com situações intermináveis. Aguardou pela rejeição do Programa do Governo, ouviu dezenas de opiniões, mas sem nunca fazer o que um verdadeiro institucionalista faria que era reunir o Conselho de Estado.

Elogiou várias vezes as virtudes dos governos de gestão e sugeriu que podia se podia prolongar esta situação sem inconvenientes de maior.

Foi passear à Madeira e quando voltou exigiu que o PS lhe desse seis provas de garante da estabilidade. Pretendeu demonstrar que era a força de bloqueio para uma solução governativa proposta pela maioria parlamentar, para não perder a face, ao ter viabilizado e incentivado o governo de Passos Coelho.

Mesmo quando percebeu que não tinha mais nenhum motivo, válido, para continuar a adiar a situação, “indicou” o Governo com ameaças veladas.

Nesse mesmo dia Cavaco Silva acaba por criticar a sua própria decisão ao depreciar a posse que ele próprio conferiu.

Em final de mandato, o Presidente não esteve à altura das circunstâncias, foi igual a si próprio, azedo, mesquinho e rancoroso, incapaz de um gesto íntegro.

Coerente até ao final.

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