Confesso que me sinto confuso. Primeiro porque a coisa é sinistra, segundo, porque sinto o sinistro que há na coisa.

Há um ano, José Silva Rodrigues, considerou “uma tragédia” a fusão entre a Carris e o Metro de Lisboa, terá dito também na mesma altura, que seria “uma coisa absolutamente sinistra”.

Ora, isto foi há um ano atrás e como se sabe, a verdade de ontem, pode não ser a verdade de hoje, como tal não existe a verdade absoluta. Até aqui tudo bem, mas na minha opinião, o que choca, são as mudanças de posição e de opinião própria, por parte dos que ocupam cargos de relevo nacional, que, ao sabor das marés, oscilam nas ondas dos interesses, esses sim, sinistros.

Passado um ano destas declarações, para espanto de todos, José Silva Rodrigues aceitou o cargo de Presidente do Conselho de Administração da nova empresa, após ter sido o escolhido pelo Governo.

Esta situação só reforça a ideia de imprecisão, de desrespeito para com o comum cidadão. Digo isto, porque na realidade estes senhores governantes e outros, movimentam-se completamente à vontade nos meandros do dinheiro, usando e abusando dos recursos dos contribuintes que cada dia apertam mais os cintos.

A seriedade destes senhores, fica completamente abalada e posta em causa, pela falta de precisão nas escolhas que fazem. Pior do que isto, está o Governo, que tentando tapar o sol com a peneira, é pouco eficaz na sua análise, no momento da escolha e na atribuição de cargos de gestão e administração para empresas do Estado. Falo em “falta de precisão”, para não ter que entrar em conceitos bem mais “sinistros” que tornam a questão aqui abordada, uma pequena aberração dentro do conceito verdadeiramente sinistro da “coisa”.

Por Paulo Perdigão

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