Foto: Michael McDonough / Flickr  //

Qin Shihuang, primeiro imperador chinês, tentou realmente conseguir a imortalidade e ordenou que todos os residentes do Império procurassem a receita do “elixir da vida eterna”.

 “A emissão de tal decreto e o próprio facto de as pessoas terem mesmo tentado cumpri-lo diz-nos que Qin Shihuang criou um sistema de poder executivo e legislativo muito confiável e eficiente, capaz de realizar as vontades do imperador à escala de todo o país numa época em que os transportes e comunicações ainda praticamente não existiam”, afirmou Zhang Chunlong, supervisor das escavações na área, à Live Science.

Tradicionalmente, considera-se que a China foi fundada pelo chamado Imperador Amarelo, Huangdi, que governou o Império Celestial em 2800 a.C. As lendas atribuem-lhe forças mágicas, inclusive uma vida extremamente longa e uma resistência inédita.

Primeiro imperador de uma China unificada, Qin Shihuang, por sua vez, considerava ser o seu herdeiro espiritual, tendo no ano de 221 a.C. conseguido unir os 7 reinos rivais num império unido com leis comuns e uma estrutura de poder vertical.

Nos anos seguintes, adquiriu a reputação de um líder violento, mas justo, que trouxe à China a ordem e paz.

Devido aos seus projetos grandiosos, como a construção da Muralha da China e do mausoléu gigante em Xian, bem como os numerosos atentados contra o imperador, contribuíram para a sua figura ter ficado associada a inúmeras lendas.

Os arqueólogos chineses descobriram inesperadamente que até o próprio governante chinês acreditava em alguns desses mitos, o que foi comprovado por uma descoberta na província chinesa Hunan.

De acordo com Zhang, a sua equipa tem realizado escavações na parte central da província já há mais de 10 anos. Durante esse período, os investigadores conseguiram encontrar milhares de artefactos da época, inclusive uma grande coleção de placas de bambucom os mais diversos dados sobre a vida quotidiana do império.

Recentemente, os arqueólogos chineses terminaram a análise da parte médica destes arquivos. Entre estes, foi encontrado um decreto oficial de Qin Shihuang no qual o imperador ordenava a todos os funcionários públicos e residentes do império que procurassem o “elixir da imortalidade” ou que recolhessem dados sobre este, relatando-os à capital sem tardança.

Deste modo, este documento oficial confirma algumas lendas relacionadas com o imperador. Muitos cronistas chineses da época escreviam que Qin Shihuang tinha uma obsessão pelo mistério da imortalidade e não parava de viajar pelo país à procura de pensadores ou de algo semelhante à “fonte de juventude eterna” dos mitos da Grécia Antiga.

Conforme as placas descobertas pela equipa de cientistas, não foi apenas o imperador que se ocupou desta iniciativa, mas também toda a população.

Talvez tenha sido devido a estas procuras e experiências que o primeiro imperador da China unida morreu aos 39 anos. Sabe-se que o seu falecimento foi provocado por intoxicação com mercúrio.

Este produto poderia ter integrado os “elixires de imortalidade” com base em cinabre, uma mistura de mercúrio e enxofre, que Qin Shihuang alegadamente terá consumido nos últimos anos de vida.

// Sputnik News / ZAP

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