Arqueólogos dinamarqueses descobriram mais de 200 pedras cobertas de gravuras de linhas e quadrados que podem ter sido os primeiros mapas do mundo, usados há cinco mil anos.

Estas pedras planas foram descobertas em escavações num local sagrado com cinco mil anos que é conhecido como Vasagard, em Bornholm, uma ilha dinamarquesa situada no Mar Báltico.

Neste lugar, que é alvo de escavações desde a década de 1990, foram encontradas mais de 200 pedras partidas, cobertas de gravuras de linhas e quadrados, que os arqueólogos acreditam terem sido uma espécie de mapas simbólicos antigos.

Chamadas de “pedras do sol” ou “pedras solares”, estes objectos com padrões de linhas direitas são associados pelos investigadores às crenças de uma religião neolítica que venerava o sol, há cerca de cinco mil anos, conforme nota o site Live Science.

O arqueólogo Flemming Kaul, curador e investigador de pré-história do Museu Nacional da Dinamarca, explica na publicação que estas pedras milenares podem ter sido mapas simbólicos de paisagens e que terão sido, provavelmente, usadas em rituais pelos agricultores da Idade da Pedra, com o intuito de influenciar magicamente o sol e a fertilidade das suas terras.

Bornholms Museum / Facebook

"Pedra Solar" com 5000 anos descoberta em Vasagard, Dinamarca.

“Pedra Solar” com 5000 anos descoberta em Vasagard, Dinamarca.

“Há uma pedra em particular que parece ser bastante complicada e concordamos todos que parece uma espécie de mapa – não um mapa no nosso sentido moderno, mas um mapa estilizado“, sublinha Flemming Kaul em declarações ao Live Science.

Apresentando linhas e quadrados que parecem campos, cercas e plantas, o arqueólogo diz que vê “algumas semelhanças com as gravuras rupestres dos Alpes no norte de Itália, datadas do mesmo período de tempo e que são interpretadas como paisagens simbólicas”.

Este dado não significa porém, que houvesse contacto entre os povos que viviam na Escandinávia e os que habitavam outras zonas da Europa, há cinco mil anos, conforme constata o investigador.

Contudo, pode ser sinal de que havia ideias comuns e uma espécie de “tendência de desenvolvimento europeugeral”, também num “sentido espiritual ou religioso”, aponta Kaul.

“As imagens do sol devem ter algo a ver com o culto solar – e temos muitas outras indicações europeias disso, tal como Stonehenge em Inglaterra, por volta da mesma altura, e sepulturas de passagem na Irlanda que estão orientadas em função do nascer-do-sol do solstício de Inverno”, acrescenta o arqueólogo.

Do leque de pedras descobertas na Dinamarca, a mais detalhada tem cerca de 5 centímetros de largura e foi partida em três peças, uma das quais ainda não foi encontrada, conforme constata o Live Science.

Kaul descreve-a como “muito complexa”, com “diferentes tipos de campos e algo que parecem plantas”, e conclui que pode simbolizar “uma colheita como a cevada” e que terá sido usada num ritual religioso algures entre 2900 e 2700 a.C..

Os arqueólogos publicaram detalhes científicos sobre a descoberta na revista científica dinamarquesa Skalk.

SV, ZAP

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