foto : Mário Cruz / Lusa

De acordo com o Correio da Manhã, que avançou a notícia no domingo, a Polícia Judiciária (PJ) pretende que Rui Pinto, de 31 anos, passe a ser investigador do Estado, colaborando nos grandes casos de corrupção e “disponibilizando as suas perícias informáticas”.

Segundo o CM, a colaboração de Rui Pinto com a PJ “poderá contemplar nova identidade, com ordenado, casa e despesas pagas”. O pirata informático terá acesso ilimitado à Internet e deverá fornecer “todos os dados que as investigações necessitarem”.

Esta notícia surge dias depois de Rui Pinto ter saído de prisão domiciliária, medida de coação em vigor desde abril. Rui Pinto está acusado de 90 crimes e deve aguardar julgamento em liberdade, com obrigação de se apresentar periodicamente às autoridades.

O arguido, que desde 8 de abril se encontrava em prisão domiciliária e proibido de aceder à Internet, ficará numa casa-abrigo do programa de proteção de testemunhas.

Sol relata esta segunda-feira que Rui Pinto estará agora num apartamento na zona da Grande Lisboa, com direito a segurança pessoal, assegurada por agentes da PSP.

Em declarações à TSF, o perito em investigação criminal e segurança e antigo inspetor da PJ, André Inácio, considerou que esta é uma notícia preocupante e que dá a ideia de que “o crime compensa”, podendo motivar outros hackers a tomar ações criminosas para ganharem notoriedade. “Importa recordar que Rui Pinto é um pirata informático que foi apanhado, não é um arrependido, portanto é alguém que se não tivesse sido detido teria continuado a sua atividade criminosa”, disse.

O Ministério Público (MP) também se opôs à decisão de libertar Rui Pinto. No entender da procuradora Marta Viegas, a libertação de Rui Pinto “não irá acautelar de forma eficaz os perigos de continuação de atividade criminosa nem o de fuga”.

O alegado hacker português foi detido a 16 de janeiro de 2019, em Budapeste, na Hungria, onde então residia. O seu julgamento tem início agendado para 4 de setembro, e terá lugar no Campus da Justiça, em Lisboa.

O MP acusou Rui Pinto de 147 crimes, 75 dos quais de acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, um de sabotagem informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da FPF e da Procuradoria-Geral da República.

Rui Pinto, criador do Football Leaks, revelou ter entregado um disco rígido à Plataforma de Proteção de Denunciantes na África, que permitiu a revelação dos Luanda Leaks, um caso de corrupção relacionado com a empresária angolana Isabel dos Santos, no qual “tropeçou” sem querer.

ZAP //

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