Maria Luís Albuquerque, a ex-ministra de Estado e das Finanças de Pedro Passos Coelho, atual membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Europeus e deputada eleita pelo PSD, foi anunciada como administradora não-executiva de uma empresa especializada em gestão de crédito com clientes como o Banif, o Millennium BCP e o Montepio. Bancos tutelados por Maria Luís Albuquerque até há três meses, quando era ministra das Finanças.

Segundo a própria, não existe nenhuma incompatibilidade passar a servir um comité de risco e auditoria, numa empresa cuja função é arrebatar os créditos que comprou a quem está endividado e que nos quais esteve envolvida em operações financeiras através do sector tutelado pela ex-ministra nomeadamente, empresas que estavam sobre a alçada do Estado e portanto sob a sua responsabilidade. Ao mesmo tempo, a atual deputada do PSD irá defender os interesses dos portugueses em relação a estas mesmas empresas de espoliação como parlamentar eleita.

A opção da ex-ministra não é única no seu meio. Outros ex-governantes e deputados já o fizeram anteriormente e com precisamente os mesmos ditos “conflitos de interesse”, misturando assim os seus anteriores cargos com os de novos em funções pouco transparentes que mais não revelam que puros jogos de conveniência.

O acesso privilegiado a contatos e informações são um claro motivo para que se possa desconfiar destas contratações, por empresas que se movem nas mesmas áreas de intervenção e daí que política e empresas, se devem relacionar com a máxima transparência a fim de evitar a mínima suspeita que possa comprometer a confiança dos portugueses nos seus governantes, já de si tão abalada.

Os políticos não são pessoas como as outras e deviam entender isso de uma vez por todas. Cabe aos políticos darem o exemplo e saberem que não podem estar nuns dias a defender os interesses dos portugueses no hemiciclo e nos outros a defenderem os interesses privados contra eles.

 Mesmo não existindo nenhum impedimento legal na legislação sobre o Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos Políticos e Altos Cargos Públicos, manda o bom senso e o sentido de Estado que determinadas opções devem ser tomadas, a fim de não fragilizar a democracia e a credibilidade dos atores políticos. Neste caso em concreto Maria Luís Albuquerque deixa mal o próprio partido, de quem poderia ter sido uma presumível líder, deixa mal os portugueses, que lhe confiaram o seu voto e deixa mal o país, a quem se pede mais dos seus representantes.

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