O economista Vítor Bento disse esta sexta-feira, no Porto, que se Portugal saísse do euro ficaria condenado à “irrelevância política definitiva” no contexto europeu e acrescentou que “não há nenhuma saída ordenada” da moeda única.

A questão foi-lhe colocada diretamente pelo moderador de um painel integrado no 3º. Seminário Anual da Universidade Lusíada, subordinado ao tema “Mobilizar a sociedade: novas estratégias de crescimento”.

Sair do euro significaria, para Portugal, “uma redução dos salários reiais da ordem dos 30% e a possível falência do sistema bancário”, que teria ser nacionalizado para se salvar.

Vítor Bento defendeu que “é um grande erro pensar que o euro é só um projeto económico”, tendo referido que se trata, igualmente, de um projeto político.

“Estar no euro é um desafio existencial” para Portugal, considerou, observando que o centro do mundo, por seu lado, está deslocar-se do oceano Atlântico para o Pacífico, por força da crescente importância económica de vários países asiáticos.

“Nestes dois movimentos, somos perdedores”, resumiu, sustentando que “o euro é o centro que nos é [a Portugal] acessível”.

Mas para a economista Cristina Abreu, professora na Lusíada, Portugal devia sai do euro “de forma planificada e em bloco”, por exemplo, com países como a Grécia.

A docente referiu que países fora do euro como a Noruega, a Roménia e a Hungria conseguem crescer, ao passo que a atual situação na zona euro pode vir a gerar “relações abrasivas” entre os seus membros.

Cristina Abreu, que se definiu como “pró-europeia soberanista” por oposição aos que se dizem federalistas, disse ainda ser falsa a ideia de que um euro forte significa que a Europa também é forte, “porque a Europa perdeu competitividade” para outras regiões do mundo.

“Vivemos com uma revalorização artificial do euro, o que nos tem custado caro”, sustentou, defendendo que uma desvalorização monetária, apenas possível nos países com moeda própria, “teria custos” elevados no caso português, “mas é uma forma de fomentar o tecido produtivo interno”.

Para Vítor Bento, Portugal não tem alternativa ao duro ajustamento que lhe foi imposto de fora e, na ponta final da sua intervenção, reafirmou que sair do euro teria um impacto muito negativo para Portugal.

“Não há nenhuma saída ordenada do euro, porque no dia em que se suspeitar que Portugal quer sair do euro metade dos depósitos sai do país”, afirmou.

NOTICIA LUSA

 

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