É preciso limitar os salários das empresas porque ninguém pode ganhar 90 vezes o que ganha um trabalhador, defende Catarina Martins do Bloco de Esquerda, depois de terem sido revelados os vencimentos de António Mexia, da EDP, e de Soares dos Santos, da Jerónimo Martins.

A líder do Bloco reage à divulgação dos ordenados do líder da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, que, em 2016, recebeu 1,26 milhões de euros, um aumento de 46,6%, e do presidente executivo da EDP, António Mexia, que recebeu 1,38 milhões de euros ilíquidos relativos à remuneração fixa e variável.

“Não podemos ter sectores de privilégio ilimitado, precisamos de regras na economia para que o país possa funcionar e ser mais justo”, salienta Catarina Martins, durante a apresentação do candidato bloquista às eleições autárquicas da Maia.

A bloquista sublinha que “Soares dos Santos quase duplicou o salário de 2015 para 2016 e ganhou o ano passado 1,27 milhões de euros, o equivalente ao que ganham em média 90 trabalhadores do Pingo Doce, ganhou sozinho aquilo que paga em média a 90 trabalhadores do Pingo Doce e aumentou o seu próprio salário em 46%”.

“Será que algum dos trabalhadores do Pingo Doce teve um aumento salarial de 46%”, pergunta ainda Catarina Martins, questionando também, se algum dos fornecedores da Jerónimo Martins, produtores industriais ou agricultores, viram a sua situação melhorar “sequer um quarto” do que melhorou o salário do presidente do grupo.

Quanto ao presidente da EDP, Catarina Martins sustenta que “a cada dia que passou, António Mexia ganhou dez salários mínimos nacionais, por dia são mais de 5.500 euros, vejam bem”, refere.

A líder do BE acusa António Mexia de ser o patrão de uma empresa que tem trabalhadores temporários nos call center, com práticas abusivas de trabalho, insegurança, pressão e “quase nada de salário”.

“Dizem-nos que é mérito deles, o mérito deles é agravar a economia injusta, fazer a escolha pelos baixos salários dos trabalhadores, fazer a escolha por esmagar os seus fornecedores e, com isso, o emprego no país, fazer a escolha pelas piores práticas sociais“, acrescenta Catarina Martins.

Mexia melhorou lucros e “encheu bolsos dos accionistas”

O jornal Expresso fez as contas aos ganhos obtidos por António Mexia, entre 2007 e 2016, como presidente executivo da EDP, notando que auferiu uma média de 1,72 milhões de euros brutos por ano, um valor que “equivale a 0,16% do lucro gerado pela empresa desde 2006″.

Em termos globais, segundo o semanário, a administração executiva da EDP amealhou “95 milhões de euros de remunerações entre 2006 e 2016”, uma média anual de 9,2 milhões de euros, sem os vencimentos de Mexia, que equivale “a 0,86% dos lucros acumulados da empresa”.

Desde que Mexia assumiu as rédeas da EDP, a empresa “lucrou mais de 11 mil milhões de euros, elevou o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 2,3 para mais de 3,7 mil milhões de euros anuais e, principalmente, encheu os bolsos dos seus accionistas”, atesta o Expresso.

Entre 2006 e 2016, a EDP pagou 6267 milhões de euros aos seus accionistas – o valor dos dividendos pagos está no patamar dos 671 milhões de euros por ano quando em 2006 tinha pago apenas 366 milhões, de acordo com o semanário.

O Expresso lembra que a EDP é “uma das empresas portuguesas mais lucrativas” e também, “uma das que mais impostos pagam”, tendo desembolsado para o Fisco, só em 2016, 89 milhões de euros.

ZAP // Lusa

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