foto:Brendan Smialowski / AFP

A Rússia acusou na terça-feira os Estados Unidos (EUA) de envolvimento direto no conflito que decorre na Ucrânia, ao fornecerem informações em tempo real a Kiev e poderem coordenar os ataques perpetrados pelo país.

Numa entrevista ao Telegraph, Vadym Skibitsky, alto funcionário da inteligência militar ucraniana, revelou que o Reino Unido e os EUA tinham ajudado a Ucrânia com “informações minuto a minuto, em tempo real, de todos os tipos”.

“Esta é a prova definitiva de que Washington, apesar das alegações da Casa Branca e do Pentágono, está diretamente envolvido no conflito na Ucrânia”, reagiu o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov​​.

Skibitsky referiu que os EUA não fornecem informações diretas acerca dos alvos, admitindo, contudo, que Washington detinha poder de veto e poderia interromper qualquer ataque se não concordasse com o alvo pretendido.

“É a Administração Biden que é diretamente responsável por todos os ataques com rockets aprovados por Kiev em áreas residenciais e infra-estruturas civis em áreas povoadas do Donbass e outras regiões, que resultam em mortes civis em massa”, acrescentou Konashenkov​.

Esta foi a primeira vez que Moscovo acusou os EUA de um envolvimento direto no conflito entre a Rússia e a Ucrânia, apontou a BBC. Anteriormente, já tinha acusado os EUA de travarem uma “guerra por procuração” na Ucrânia.

Embaixada dos EUA acusa Rússia de bloquear site

A embaixada dos EUA em Kiev criticou o que diz ser uma decisão da Roskomnadzor – a agência russa responsável por regular as telecomunicações – de bloquear um site do governo norte-americano, o share.america.gov, segundo avançou esta quarta-feira o Guardian, citando um comunicado daquela entidade.

A embaixada citou Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, que acusa a Roskomnadzor de ser uma agência que “monitoriza, controla e censura” os meios de comunicação e refere que o site bloqueado “divulga histórias sobre a engenhosidade e valores americanos e relata a verdade sobre a guerra na Ucrânia”.

No início da guerra, a Rússia bloqueou o acesso a vários sites de organizações estrangeiras de notícias, incluindo a BBC e a Deutsche Welle, por divulgarem o que alegou serem informações falsas sobre a guerra na Ucrânia.

Putin quer “solução negociada” para a guerra

A Rússia quer uma “solução negociada” para a guerra na Ucrânia e o acordo assinado em julho para desbloquear os portos ucranianos e tranquilizar os mercados agrícolas pode ser um ponto de partida, disse esta quarta-feira o ex-chanceler alemão e amigo de Putin, Gerhard Schroeder.

“A boa notícia é que o Kremlin quer uma solução negociada”, disse Schroeder ao semanário Stern, citado pela agência Reuters, acrescentando que se encontrou com Putin em Moscovo na semana passada. “Um primeiro sucesso foi o acordo dos cereais, que talvez possa ser expandido lentamente para um cessar-fogo”.

primeiro carregamento autorizado de cereais ucranianos desde o início da guerra chegou no final desta terça-feira ao largo da costa norte de Istambul, no mar Negro.

Schroeder disse que as soluções para problemas como a Crimeia podem ser encontradas ao longo do tempo, “talvez não em 99 anos, como Hong Kong, mas na próxima geração”.

Na sua opinião, uma alternativa à adesão à NATO pela Ucrânia pode ser a neutralidade armada, como acontece com a Áustria. Quanto à região de Donbass, no leste da Ucrânia, será mais “complicado” de decidir.

Schroeder, chanceler alemão de 1998 a 2005, criticou a guerra na Ucrânia, mas recusou-se a condenar Putin, a quem chama de amigo íntimo. Na Alemanha, Schroeder foi destituído do seu direito a um cargo com financiamento público.

Mais civis a sair de Kherson

O relatório desta quarta-feira do Ministério da Defesa britânico indicou que, devido a um ataque ucraniano a um comboio de munições russo, é “altamente improvável” que a ligação ferroviária que liga Kherson à Crimeia esteja operacional.

“A Rússia deverá reparar a linha férrea dentro de alguns dias, embora esta continue a ser uma vulnerabilidade para as forças russas e para a sua rota de reabastecimento logístico da Crimeia para Kherson”, informou.

O mesmo relatório apontou para um aumento de civis a tentar fugir de Kherson e da área circundante, à medida que as hostilidades continuam e a escassez de alimentos piora, pressionando as rotas de transporte.

De acordo com a agência da ONU para os refugiados, o número de pessoas que atravessaram as fronteiras entre a Ucrânia e os países vizinhos desde o começo da invasão russa ultrapassou esta quarta-feira os dez milhões.

A ofensiva militar terá causado a fuga de cerca de 16 milhões de pessoas das suas casas – mais de seis milhões de deslocados internos e dez milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

Batalhas em Donbass “são um inferno”

No habitual discurso noturno, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, enfatizou aos ucranianos o corredor de cereais que significou o primeiro passo para desbloquear os portos do país depois da guerra.

No mesmo discurso, realçou que “ainda não podemos descartar completamente a vantagem do exército russo em artilharia e mão de obra, e isso é muito sentido nas batalhas, especialmente em Donbass (Pisky, Avdiyivka, outras direções). É apenas um inferno. Não dá nem para descrever em palavras”.

Entretanto, o major-general das Forças Armadas da Ucrânia, Andriy Kovalchuk, indicou que cerca de meio milhão de pessoas podem convocadas a combater na guerra da Ucrânia.”Já mobilizamos meio milhão de pessoas e podemos mobilizar mais meio milhão, se for necessário”, disse Kovalchuk, citado pelo Suspilne.

O major-general frisou não haver de momento problemas com o pessoal do exército ucraniano, indicando que o que o país precisa é de mais armas pesadas.

EUA congelam visto da “namorada” de Putin

O Departamento do Tesouro dos EUA informou que o Governo do país congelou o visto de Alina Kabaeva, uma antiga ginasta olímpica que é apontada como parceira de Putin. A decisão faz parte de uma nova ronda de sanções contra as elites russas e impõe ainda restrições de propriedade à antiga integrante da Duma estatal.

Segundo o Departamento do Tesouro, Kabaeva é também chefe de uma empresa nacional de comunicação russa que promove a invasão da Ucrânia.

Os críticos do Kremlin e o ativista russo aprisionado, Alexey Navalny, têm pedido sanções contra Kabaeva, afirmando que o seu meio de comunicação assumiu a liderança na apresentação dos comentários ocidentais sobre a invasão como sendo uma campanha de desinformação.

O Reino Unido já tinha sancionado Kabaeva em maio e, um mês depois, também a União Europeia lhe impôs restrições de viagens e bens.

Também referido no último pacote de sanções do Tesouro está o oligarca Andrey Grigoryevich Guryev, dono de Witanhurst, uma mansão com 25 quartos que é o segundo maior imóvel de Londres, após o Palácio de Buckingham.

O seu iate, o Alfa Nero, avaliado em 120 milhões de dólares (mais de 118 milhões de euros), também foi identificado como propriedade bloqueada e o seu filho, Andrey Andreevich Guryev, foi igualmente sancionado, juntamente com a sua empresa de investimentos, a Dzhi Al Invest OOO.

Em abril, os EUA já tinham imposto sanções às filhas adultas de Putin, Katerina Vladimirovna Tikhonova e Maria Vladimirovna Vorontsova.

A siderúrgica russa Publichnoe Aktsionernoe Obschestvo Magnitogorskiy Metallurgicheskiy Kombinat, também conhecida como MKK, o seu presidente, Viktor Filippovich Rashnikov, o seu conselho de administração e as suas subsidiárias também foram designados para aplicação de sanções financeiras.

Além disso, o Departamento de Estado informou na terça-feira que 893 funcionários da Federação Russa, incluindo membros do Conselho da Federação e militares, terão os seus vistos bloqueados.

O secretário de Estado, Anthony Blinken, reiterou ainda o apoio dos EUA “ao bravo povo da Ucrânia” e garantiu que continuará a “promover a responsabilização do Presidente Putin e os seus comparsas, cujas ações causaram tanto sofrimento e destruição na Ucrânia”.

   Taísa Pagno , ZAP //

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