foto : Manuel de Almeida / Lusa

Esta manhã, em entrevista à Antena 1, Jerónimo de Sousa admitiu que o PCP poderá votar contra o Orçamento do Estado para 2021, apesar de ainda não ser conhecido o conteúdo da proposta.

“Obviamente, enquanto este Orçamento tiver como substância, como conteúdo a repetição de mais do mesmo, o benefício dos do costume e o prejuízo para quem trabalha ou trabalhou, então, naturalmente, pergunto como podem exigir do PCP um voto a favor de matéria de um documento que reflita opções de classe, opções do lado dos poderosos”, disse o secretário-geral comunista.

“Nesse sentido, eu estou a fazer um juízo de valor precipitado. Ainda não conhecemos os conteúdos dessa proposta de Orçamento, mas que fique claro que este é um momento de opções”, acrescentou. O documento vai dar entrada na Assembleia da República no próximo dia 12 de outubro, e o PCP abre assim a porta a manter o sentido de voto, caso mantenha a mesma linha.

Sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, também conhecido como Plano Costa e Silva, Jerónimo de Sousa frisou que o documento “não dá respostas ao imediato“, numa altura em que o país está mergulhado numa crise provocada pela pandemia de covid-19.

À saída do encontro com António Costa, na segunda-feira, o secretário-geral do PCP criticou a “página em branco” sobre “a valorização do trabalho e dos trabalhadores”, nomeadamente no que diz respeito “aos seus salários e os seus direitos”.

Na entrevista desta quarta-feira, Jerónimo não abordou o assunto de uma eventual Geringonça 2.0, mas referiu que “a repetição de uma experiência falhada como foi o Bloco Central que existiu, será responsabilidade do PS e do PSD”. Assim, sublinhou que o PCP não vai perder o poder soberano de procurar responder aos problemas que estão na ordem do dia.

“Estamos a assistir a jogos de poder do Presidente da República para trazer o PSD para um entendimento governativo”, disse o secretário-geral comunista, sublinhando que, de modo formal ou informal, o Bloco Central é um objetivo do Presidente da República.

Ainda sobre Marcelo Rebelo de Sousa, o comunista acusou-o de ter sido o Presidente dos poderosos e de “nem sempre ter sido capaz de defender e fazer cumprir a Constituição”.

LM, ZAP //

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