De partida para o Wisla Plock, Tiago Rocha conversou com o iPressGlobal, revelando as emoções inerentes aos momentos mais importantes da sua carreira e as suas expectativas relativamente ao futuro, nesta que foi a sua última entrevista antes da partida para a Polónia.
Tiago Rocha, 28 anos, pivô há mais de uma década no Futebol Clube do Porto (FCP) e atleta da Seleção Nacional Masculina de Andebol. Um percurso que iniciou ainda jovem no S. Paio de Oleiros, clube da sua terra natal e onde cresceu o gosto por esta modalidade coletiva.
Já no Futebol Clube do Porto o seu desempenho foi diversas vezes premiado ao longo das épocas desportivas que cumpriu, fazendo parte do seu currículo o Dragão de Ouro para Atleta Jovem do Ano. Mais recentemente o seu empenho e qualidade foi reconhecida ao ser eleito o melhor jogador da quarta jornada da Liga dos Campeões de Andebol, depois de já ter sido nomeado como elemento da equipa ideal.

iPressGlobal (iPG): O que o motivou a escolher o andebol como prática desportiva?
Tiago Rocha (TR): O andebol era a única modalidade coletiva existente na vila onde nasci, cheguei a andar no atletismo onde não tive sucesso nenhum, ficava sempre em último o que me levou a optar pelo andebol. Na altura houve uma captação na escola primária, fui experimentar e fiquei.
iPG: E como aconteceu a passagem do S. Paio de Oleiros para o FCP?
TR: Eu fiz boa parte do meu percurso escolar no colégio dos Carvalhos onde conheci o Professor José Magalhães, diretor geral do andebol que me trouxe para o FCP quando tinha 12 anos. Estive ano e meio no FCP, depois voltei para o S. Paio de Oleiro e acabei por regressar três anos depois ao clube onde permaneci até hoje.
iPG: Falou do Professor Magalhães, pode dizer-se que ele é um dos responsáveis pelo sucesso profissional do Tiago?
TR: Sem dúvida! Ele tem uma boa capacidade de detetar nos jovens as suas potencialidades enquanto jogadores de andebol. Ao perceber o meu potencial deu-me oportunidade de entrar no FCP e de hoje ser hexacampeão, atleta da seleção nacional e de poder jogar numa equipa internacional. Assim como, tenho de agradecer ao meu treinador, Obradovic, que ajudou a desenvolver a minha capacidade de defesa, o que me tornou um jogador mais completo.
iPG: Ao longo dos anos, teve variadas propostas de clubes estrangeiros, porque razão só agora decidiu sair do FCP?
TR: É verdade, tive vários convites, estive prestes a assinar com variadas equipas mas as coisas nunca se proporcionaram como queria. Na realidade sempre quis ter uma experiência no estrangeiro, felizmente este ano realizou-se, só desejo que corra tudo bem.
iPG: O Tiago consegue eleger o melhor momento da sua carreira a nível individual e colectivo?
TR: Em termos de clube a conquista do hexacampeonato foi sem dúvida o melhor momento coletivo. Foram seis anos de muito trabalho e muitas batalhas, chegar a esta meta foi o atingir de um grande objetivo. Em termos individuais ter sido eleito o jogador da jornada da liga dos campeões, foi talvez o meu grande momento!
iPG: Pelo que percebi mantém sempre uma postura positiva em relação aos desafios profissionais. Acredita que isso o tem ajudado a atingir bons resultados?
TR: Perante os desafios temos sempre dois pontos de vista, e o fato de ver as coisas pelo lado positivo faz com que elas tenham depois outro significado e corram melhor. Às vezes também temos dissabores, mas temos de aprender com eles e torná-los positivos.
iPG: Certamente muitos jovens gostariam de jogar andebol profissional. Que conselho lhes poderia dar para conseguirem vencer neste desporto?
TR: Gostava de lhes deixar uma palavra de incentivo, dizer-lhes que vale a pena as vezes que vão deixar de sair com os amigos porque têm jogo no dia a seguir. Há muitas coisas que nós atletas deixamos de fazer, mas sem dúvida que somos extremamente compensados no futuro pelo que o desporto e o andebol nos traz.
iPG: Na hora da despedida, o significa o FC Porto para o Tiago?
TR: Foram quase 14 anos com o Dragão ao peito, são muitas recordações, muitas pessoas que me marcaram de forma positiva, treinadores, jogadores, diretores e demais pessoal do FCP. É graças ao Porto que consegui a oportunidade de jogar num clube internacional e na liga dos campeões.
iPG: Que expectativas tem nesta passagem pelo Wisla Plock?
TR: Espero que seja uma boa passagem pelo estrangeiro e que me consiga adaptar bem. Esta é a primeira vez que vou sair do meu conforto mas estou otimista, penso que a adaptação vai ser boa e que tudo vai correr bem. Espero continuar a mostrar as minhas qualidades em campo e atingir bons resultados.
iPG: A carreira de atleta acaba cedo, tem um segundo plano para a sua vida?
TR: Eu gostaria de continuar ligado ao andebol, ao desporto, por isso estou a estudar Gestão de Desporto no ISMAI. Penso que no futuro possa vir a trabalhar em algo ligado ao desporto, não sei exatamente em que função.

































