O alarme toca. É desligado. E é o chap-chap ininterrupto da chuva que faz acordar. As consciências despertam, e o bocejar é o espelho das poucas horas de sono sobre a almofada, tanto dos que festejaram euforicamente a medalha, como daqueles que acabaram sentados ao balcão com o amigo whisky.

Ao pequeno-almoço ainda se comem cereais, e o leite ainda está onde estava ontem. Nada mudou.

A indecisão entre o duche em água gelada para os que querem acordar do pesadelo, e o de água quente para os tais vencedores, é só mais um aspecto, nada importante, perto da agitação que se vive lá fora em redor da capa dos matutinos. Os olhos esbugalhados e o nariz a milímetros do vidro, transmitem o desespero e a ânsia de quem precisa. De algo, ou de tudo. De quem se arrepende e quase arranca os cabelos, ainda molhados.

Esses, sim, os jornais, trazem-nos algo: os factos, e as reacções. Mas que reacções se os resultados, na sua larga maioria, só têm duas faces, as mesmas desde há quase 40 anos?

Era bom que o Euro Milhões fosse tão previsível, era era!

TR

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