O presidente da comissão representativa dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes, nos Açores, João Ormonde, disse hoje (23), que não pode avaliar o impacto da redução do efetivo militar norte-americano, sem conhecer a proposta dos EUA.

Segundo a Agência Lusa, para João Ormonde, se a redução for “muito significativa” terá “forçosamente” como consequência o despedimento de trabalhadores portugueses, mas desconhecendo se essa redução vai implicar “uma reestruturação ou uma eventual desativação de serviços”, não consegue prever a dimensão do seu impacto.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Miguel Guedes, disse hoje à Lusa que “o Governo dos Estados Unidos da América informou segunda-feira desta semana o Governo português que o secretário da Defesa ratificou, recentemente, uma proposta da Força Aérea americana, que prevê uma forte redução da dimensão da sua presença na base aérea portuguesa n.º 4 (Lajes, Açores)”.

“O que nos preocupa é perceber em que medida é que isto afeta os trabalhadores, quantos afetará e como é que serão feitos os despedimentos”, salientou.

João Ormonde revelou ainda que a comissão esteve reunida com o Comandante da Zona Aérea dos Açores, que disse “não ter conhecimento de qualquer informação adicional, para além daquela que foi divulgada no início do ano”.

O representante dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes considera, no entanto, que “haverá dados novos e que estarão na posse do Governo Regional”, tendo em conta que o executivo açoriano esteve reunido na passada quarta-feira com o Governo da República, quando foi informado da ratificação do acordo.

Nesse sentido, a comissão representativa dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes pediu um encontro com o Governo Regional para os próximos dias, onde vão procurar um “esclarecimento” sobre as intenções dos EUA e sobre o “plano” que poderá ser traçado pelas entidades portuguesas.

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, já se tinha pronunciado sobre a ratificação da proposta norte-americana, na passada quarta-feira, na Assembleia Legislativa da Região, alegando que esta matéria exige “o comprometimento total, absoluto e pleno do Governo de Portugal”.

“Ao Governo da República exortamos para que assuma, plenamente, uma abordagem que denote a consciência clara do que aqui está em causa”, salientou, acrescentando que podem ser afetados “centenas de trabalhadores açorianos”, o que corresponde a “uma percentagem demasiado elevada da economia da ilha Terceira e muito significativa da economia regional”.

Vasco Cordeiro adiantou que o executivo açoriano “apoia, inequivocamente, todos os esforços, diligências ou medidas do Governo Português destinadas a salvaguardar a letra e o espírito do Acordo de Cooperação e Defesa”, salientando que esta questão “não se esgota em componentes sectoriais porventura mais visíveis, antes só pode estar centrada no âmbito do relacionamento diplomático entre os dois países”.

 

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