Funchal, Madeira, 10 jul (Lusa) – A Fábrica de Chapéus de Santa Maria, a única na Madeira, é um pequeno negócio de família, com porta aberta na Zona Velha do Funchal há sete décadas e que sobrevive graças à aposta no mercado turístico.

“A base do nosso negócio é a venda para clientes espalhados por toda a ilha, que são essencialmente lojas de souvenires”, disse à agência Lusa o gerente Paulo Pestana, sublinhando, no entanto, que tudo começou com o chapéu-carreiro, um artigo feito com palha de trigo, muito popular nas décadas de 50 e 60 do século XX.

Nesse período, a Fábrica de Chapéus de Santa Maria, fundada por um tio do atual gerente, atingiu o apogeu, sobretudo à conta da exportação para as antigas colónias portugueses, mas também devido à enorme procura interna.

“O chapéu-carreiro foi realmente o produto que deu corpo ao negócio”, realçou Paulo Pestana, explicando que a fábrica também produzia grandes quantidades de chapéus para bebé e criança, sempre em palha de trigo, bem como os de aba larga, bastante requisitados por camponeses de Câmara de Lobos, na zona oeste da ilha.

Há cerca de 20 anos, porém, o negócio decresceu e a família redirecionou a produção para o turismo, assegurando desse modo sobrevivência da fábrica.

“Se estivéssemos a produzir só chapéus de palha, já tínhamos fechado há imenso tempo”, disse Paulo Pestana, contando que, atualmente, também se dedicam ao fabrico de mochilas, sacos, bolsas e porta-moedas, sobretudo com o tecido riscado, típico da indumentária tradicional madeirense.

Outro produto com muita saída é a carapuça, uma peça elementar no traje de qualquer grupo folclórico regional, sendo que, para além do modelo original, a fábrica coloca no mercado carapuças destinadas exclusivamente aos turistas, muito garridas e onde a inscrição “Madeira” é bem visível.

Localizada na emblemática Rua de Santa Maria, na Zona Velha do Funchal, a pequena fábrica da família Pestana ocupa dois espaços no rés-do-chão de um velho prédio e desperta a curiosidade pelo seu aspeto rudimentar e pelo colorido das portas, que foram intervencionadas artisticamente, na sequência do projeto “Arte de Portas Abertas”, ao qual aderiram quase todos os estabelecimentos da zona.

“Para manter a fábrica em funcionamento, não é preciso muita gente. Somos quatro pessoas”, explicou Paulo Pestana, vincando, no entanto, que todos os que ali trabalham sabem fazer um pouco de tudo, incluindo ele próprio, que tem 40 anos e começou a ajudar o pai nas lides aos 16.

Os equipamentos, por outro lado, limitam-se praticamente a algumas máquinas de costura, onde se incluem duas específicas para coser a palha e que são autênticas peças de museu.

“É um dos orgulhos que temos aqui dentro”, revelou o gerente, antes de se abeirar da porta com um chapéu-carreiro na cabeça, um dos autênticos, feito com tiras de palha de trigo entrançadas à mão, um produto oriundo do norte do país, mas que é transformado em copa e aba ali, na Fabrica de Chapéus de Santa Maria.

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