foto : (h) Iran's Supreme Leader Office / EPA

A ameaça foi feita esta segunda-feira pela filha do general Qassem Soleimani, durante o funeral do pai, ao qual acorreram milhares de iranianos. “As famílias de soldados norte-americanos no Médio Oriente vão passar os dias esperando pela morte dos seus filhos”, disse Zeinab Soleimani perante as câmaras da televisão estatal, citada pela BBC. “Trump louco, não penses que tudo acabou com o martírio do meu pai. Um dia negro” vai cair sobre os Estados Unidos e Israel, ameaçou.

No domingo, a filha de Soleimani, também em declarações televisivas a uma estação ligada ao Hezbollah, tinha prometido que o sangue do seu pai “não foi derramado em vão”. Antes disso, num encontro com o presidente iraniano, Hassan Rouhani, Zeinab perguntou quem iria vingar o seu pai. “Todos vão vingá-lo”, respondeu Rouhani.

Os restos mortais do comandante da força de elite Al-Quds foram transportados para a cidade de Qom, um dos centros do Islão xiita, para uma cerimónia que precede o funeral desta terça-feira na terra natal de Soleimani, situada na província de Carmânia.

As ruas da capital iraniana, Teerão, encheram-se para homenagear o major-general, que alguns viam como um futuro líder do país. Milhares de pessoas entoaram cânticos de “Morte à América!”, enquanto outras seguravam fotografias do general.

O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, liderou as orações e foi visto a chorar-. Na sequência da morte de Soleimani, o ayatollah prometeu “vingança severa” sobre os responsáveis.

Em visita aos familiares, o Presidente do Irão, Hassan Rouhani, declarou: “Os americanos não perceberam verdadeiramente o erro grave que cometeram. A vingança pelo seu sangue será reivindicada no dia em que as mãos imundas da América forem cortadas para sempre da região.”

A tensão entre os Estados Unidos e o Irão aumentou na sequência da morte do comandante da força de elite iraniana Al-Quds, Qassem Soleimani, vítima na sexta-feira de um ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Bagdade que o Pentágono declarou ter sido ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

EUA poderão atacar outros líderes iranianos

Durante uma ronda de entrevistas em várias estações televisivas, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmou que o Irão e os seus líderes militares serão alvo de novos ataques, se interesses dos EUA forem atacados.

Pompeo disse ainda que os EUA atingirão o Irão, mesmo que as retaliações aconteçam a partir dos seus aliados, como a Síria, Iémen, Líbano ou outros. “Os custos serão imputados ao Irão e à sua liderança. Esses são dados que os líderes iranianos devem ter em conta”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana. Mike Pompeo diz que, nesse cenário, qualquer ataque militar dos EUA em território iraniano terá cobertura legal.

“Vamos comportar-nos dentro do sistema. Sempre o fizemos e sempre o faremos“, assegurou o secretário de Estado, contornando as questões colocadas pelos jornalistas sobre a mensagem enviada na rede social Twitter pelo Presidente Donald Trump, que ameaçou atacar “locais da cultura iraniana”, se os interesses norte-americanos forem visados.

O presidente americano escreveu na sua conta de Twitter que os Estados Unidos identificaram 52 locais a atacar no Irão, caso haja algum ataque a alvos norte-americano, e que os atacarão “muito rapidamente e duramente”.

Trump ameaça Iraque com sanções “muito fortes”

No domingo, o Presidente dos Estados Unidos ameaçou o Iraque com sanções “muito fortes” caso as tropas norte-americanas sejam obrigadas a sair do país, na sequência do voto no parlamento iraquiano.

“Se nos pedirem efetivamente para sairmos, se não o fizermos numa base muito amigável, vamos impor sanções como nunca viram“, declarou Donald Trump, a bordo do avião Air Force One. As sanções ao Iraque vão fazer “parecer as sanções ao Irão como quase fracas”, acrescentou.

Trump reagia assim à aprovação pelo parlamento iraquiano de uma resolução que pede o fim da presença das tropas norte-amercianas no país, pondo fim ao acordo com os Estados Unidos, estabelecido em 2016.

NATO discute entre EUA e Irão

Os embaixadores dos 29 países da NATO vão reunir-se esta segunda-feira extraordinariamente para discutir a crise entre os Estados Unidos e o Irão, disse um porta-voz da organização à agência de notícias AFP. “O secretário-geral [Jens Stoltenberg] decidiu organizar esta reunião de embaixadores da NATO depois de ter discutido com os aliados”, disse um porta-voz da organização à AFP.

Os embaixadores dos 29 países da NATO reúnem-se regularmente em Bruxelas, várias vezes por semana, para discutir questões atuais e assuntos de interesse comum.

No sábado, a NATO anunciou que suspenderia as operações de treino no Iraque após a morte do general iraniano Qassem Soleimani durante um ataque norte-americano a Bagdade, no Iraque, na sexta-feira.

A missão da NATO no Iraque, que tem algumas centenas de militares, treina as forças do país desde outubro de 2018, a pedido do Governo iraquiano, para impedir o retorno do Daesh.

ZAP // Lusa

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