foto: Isabel Cutileiro / SL Benfica

Continuam a surgir revelações sobre as suspeitas em torno de Luís Filipe Vieira, no âmbito da investigação do Ministério Público (MP) que levou à sua detenção, na semana passada.

Agora, o Correio da Manhã (CM) assegura que Vieira terá tentado negociar a venda de 25% da Benfica SAD com o grupo chinês Alibaba. Uma operação que terá sido realizada em conjunto com o seu amigo José António dos Santos, o dono do grupo Valouro e da Avibom que também é suspeito no mesmo processo.

milionário norte-americano John Textor confirmou, nesta terça-feira, “conversações” com José António dos Santos para a compra de acções da Benfica SAD.

Mas, antes dessas conversas, “o primeiro investidor estrangeiro” com quem Vieira e José António dos Santos terão “estabelecido contactos para a venda de 25% do capital da Benfica SAD” terá sido o grupo chinês que actua na área do comércio electrónico.

As negociações terão sido feitas “nas costas de toda a gente”, como terá assumido o próprio Vieira nas conversas telefónicas interceptadas, segundo cita o CM.

O jornal reporta que “os contactos terão sido sempre feitos com pessoas próximas de José António dos Santos”.

O grupo chinês, detido pelo multimilionário Jack Ma, estaria interessado em “transmitir os jogos do Benfica na China“, pensando no grande potencial de visibilidade do futebol como “uma oportunidade estratégica”, reporta o CM.

Contudo, o negócio com o Alibaba não avançou.

E foi depois disso que entrou em cena Textor que terá feito um contrato promessa de compra e venda de 25% de acções da Benfica SAD, que estão na posse de José António dos Santos e de Vieira, por 50 milhões de euros. O negócio renderia a Vieira 6,48 milhões de euros.

O Ministério Público alega que “Vieira contribuiu para esse negócio, não só mantendo a sua confidencialidade face aos sócios do Benfica, como aliciando outros accionistas a transmitirem a sua posição a José António dos Santos”, destaca ainda o CM, citando o processo.

Entretanto, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) revelou que há dúvidas quanto aos actuais accionistas da Sociedade, anunciando ainda que lançou uma investigação à situação.

Vieira terá ocultado 6,2 milhões na Suíça

O MP também acusou Luís Filipe Viera de utilizar uma conta bancária na Suíça para ocultar património.

Observador avança, esta terça-feira, que o presidente do Benfica suspenso de funções terá ocultado cerca de 6,2 milhões de euros, reunidos entre 2009 e 2012, na Suíça.

Vieira terá doado o valor a si próprio, já em 2017, para poder dispor do dinheiro em Portugal.

Por trás da imputação do MP está uma alegada relação privilegiada que existia entre Luís Filipe Vieira e Ricardo Salgado, presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES), entre 1991 e 2014.

Segundo a acusação, Salgado terá convidado Vieira para participar no aumento de capital social que o BES realizou em 2009, emprestando-lhe dinheiro para esse efeito.

O diário online escreve que o BES terá emprestado cerca de quatro milhões de euros a Vieira, para adquirir 2.507.847 ações no aumento de capital de abril de 2009. O presidente do Benfica terá investido mais 3,2 milhões, num total de 7,2 milhões de euros, e vendido os mesmos títulos entre julho e agosto de 2009, tendo ganho uma mais-valia de 3.861.838 euros.

Luís Filipe Vieira terá parqueado essa mais-valia numa conta aberta no ST. Galler Kantonalbak, um banco suíço, para as pequenas e médias empresas do cantão de St. Gallen, localizado no nordeste do país.

“Tal mais-valia foi parqueada pelo arguido Luís Filipe Vieira numa conta junto do St. Galler Kantonalbank, onde, entre outubro de 2009 e outubro de 2012, chegou a registar um saldo de 6,2 milhões de euros, todos com origem em fundos que se encontravam na posse do arguido Luís Filipe Vieira, valor esse de que viria a dispor, em 2017, com a justificação de ‘doação, indiciando-se tal conta ter sido instrumentalizada por aquele arguido para ocultar o seu património”, refere o MP.

Também esta terça-feira, o Público avança que os gestores do Novo Banco sabiam, pelo menos desde 2015, que a Imosteps, empresa de Luís Filipe Vieira que contabilizava em finais de 2014 uma dívida de mais de 54 milhões de euros àquela instituição, tinha associado um património elevado.

No entanto, mesmo sabendo, decidiram vender a dívida ao desbarato, sem nunca executarem as garantias que possuíam.

O MP sustenta que a dívida foi vendida em setembro de 2019 ao fundo americano Davidson Kempner por apenas 6,6 milhões de euros, um oitavo do valor emprestado uns anos antes. Além disso, foi oferecida aos americanos uma participação de 12,5% na Oata, que era detida em 50% pela Imosteps e que constituía o seu principal ativo.

“Indicia-se que o Novo Banco, em face da inoperância das dívidas da Imosteps, mesmo tendo elementos, desde pelo menos 2015, segundo os quais o património associado à mesma era elevado, colocou em terceiros o crédito e a própria participação que detinha na Oata, vendendo a dívida com um desconto de 89%, perdoando os juros e oferecendo gratuitamente a referida participação”, lê-se no documento do MP a que o jornal teve acesso.

Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos na quarta-feira, numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros.

O presidente do Benfica suspendeu funções e ficou em prisão domiciliária até ao pagamento de uma caução de três milhões de euros.

No mesmo processo foram também detidos Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira, o agente de futebol Bruno Macedo e o empresário José António dos Santos.

ZAP //

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