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Assim como as estações do ano se alteram, misturando cada vez mais entre si as características que as distinguem, a vida ganha contornos de mistura de etapas que se repetem entre estações e que já não demarcam uma fase da vida.

Muitos são os que há décadas deixaram a estação inicial, acreditando na estabilidade e tranquilidade que algum percurso já realizado lhes poderia trazer, e se veêm agora num qualquer apeadeiro da vida sem saber em que comboio entrar. Há igualmente aqueles que tomaram o comboio da vida na estação que julgaram certa e se mantêm em continuidade de gestos e pensamentos, de um lado para o outro dentro de uma carruagem, por já não saberem em que estação sair.

O sentimento de não saber o que se deseja fazer, o que se gosta de fazer, o que se quer fazer, para onde ir, para onde virar, tão típico da fase da estação “ adolescente” repete-se agora na estação “adulto” trazendo uma ansiedade maior e um sentimento de desorientação agudizado pelo tempo mais curto de viagem que ainda se tem.

A instabilidade da viagem marcada por um aumento do custo de vida e um desgaste profissional de quem em tempos ambicionou uma carreira, reflete-se no desânimo, na procura constante de uma resposta que parece não se revelar. Alcançar a paz necessária no turbilhão de mudanças, na agitação das mentes que intervêm umas nas outras, de modo a deixar flutuar a resposta do interior da alma, parece a tarefa menos simples, até porque o comboio continua viagem, o maquinista não abranda e o bilhete tem de ser cobrado.

Se um dia deixarmos de tentar controlar o percurso do comboio, confiando que o trajeto traçado nos levará ao sítio certo, estaremos prontos a renascer e a reencontrar a estação, aquela onde nos sentiremos em casa.

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