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foto: Lee Tucker, USAF / Wikipedia

Comandos dos EUA percorreram zonas profundas do território iraniano para resgatar o piloto do F-15, que tinha sido abatido dois dias antes. Para os iranianos, capturar o piloto seria uma vantagem negocial. Para os militares norte-americanos, encontrá-lo era um imperativo moral.

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou este domingo que as Forças Armadas norte-americanas conseguiram resgatar o oficial de sistemas de armas do caça F-15 abatido pelo Irão na sexta-feira, que estava desaparecido em território iraniano, após quase dois dias de intensas buscas pelo militar.

Horas depois do anúncio de Trump, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) divulgou a primeira confirmação oficial da queda do F-15 a 2 de abril “durante uma missão de combate“, e o resgate de dois tripulantes.

“A 4 de abril, as forças norte-americanas concluíram com sucesso o resgate de militares norte-americanos no Irão, após o seu caça F-15E ter sido abatido a 2 de abril durante uma missão de combate”, explicou o CENTCOM em comunicado.

“Os militares foram evacuados em segurança durante operações separadas de busca e salvamento”, acrescenta a nota.

Quase ao mesmo tempo que o F-15 foi abatido, um outro avião de combate dos EUA despenhou-se na região do Golfo Pérsico., próximo do Estreito de Ormuz. O único piloto a bordo da aeronave, um A-10 Warthog, foi na altura resgatado. Não foram fornecidos detalhes sobre como e onde ocorreu.

Na sexta-feira, Teerão afirmou ter abatido um caça F-15, o primeiro avião de combate norte-americano a cair em território iraniano desde o início da guerra. Washington desencadeou então uma operação de busca e resgate do piloto, que se terá ejetado da aeronave e estaria em local desconhecido, em território iraniano.

Segundo a Axios, embora ferido, o militar norte-americano, um oficial de sistemas de armas, conseguia caminhar, e escapou à captura nas montanhas durante mais de um dia.

Na sua publicação, Trump declarou que o Exército norte-americano tinha “realizado uma das operações de busca e salvamento mais ousadas da história dos Estados Unidos, para resgatar um dos nossos incríveis oficiais de tripulação, que é um coronel extremamente respeitado — e sobre quem tenho enorme satisfação em informar que agora está SÃO e SALVO”.

Numa mensagem posterior, descreveu a missão de resgate como “uma demonstração incrível de coragem e talento por parte de todos!”.

Operação arriscada

Segundo o The New York Times, a missão de resgate do piloto foi conduzida pelos comandos da Equipa 6 dos Navy SEALs, a força de operações especiais da Marinha norte-americana.

O piloto, cuja identidade não foi revelada, estava equipado com uma pistola, um localizador e um dispositivo de comunicações seguras, com o qual partilhou informações com as equipas de resgate.

Terá sido a CIA a usar as suas “capacidades únicas” para procurar e localizar o militar. “Era como procurar uma agulha num palheiro, mas neste caso tratava-se de uma alma americana corajosa dentro de uma fenda na montanha, que seria invisível não fosse pelas capacidades da CIA“, disse à Axios uma fonte oficial.

Segundo a fonte oficial, a CIA partilhou a localização exata com o Pentágono, as Forças Armadas dos EUA e a Casa Branca, e o Presidente Trump ordenou uma missão de resgate imediata.

Os Seals foram então transportados para o local onde o piloto se encontrava escondido, tendo aberto fogo para manter as forças iranianas afastadas. Durante a operação, foram usados aviões de ataque, que lançaram bombas e abriram fogo contra colunas iranianas para as manter à distância.

Dois dos aviões destinados a transportar o piloto e e a equipa de resgate para um local seguro ficaram imobilizados numa base remota no Irão e tiveram de ser destruídos para evitar que caíssem em mãos iranianas, diz o NYT.

Segundo um porta-voz do comando central das Forças Armadas iranianas, a operação de resgate usou um aeroporto abandonado na província meridional de Isfahan, no qual dois aviões de transporte militar norte-americanos C-130 e dois helicópteros Black Hawk foram destruídos.

As forças norte-americanas recorreram então a outras três aeronaves de transporte para retirar o militar e a equipa de Navy Seals para local seguro. Durante a retirada, a CIA difundiu uma campanha de desinformação dentro do Irão com a notícia de que as forças norte-americanas estavam a retirar o piloto do país por via terrestre.

A perda do F-15E Strike Eagle é o primeiro caso conhecido de uma aeronave de combate norte-americana abatida em território hostil durante a guerra no Irão. Três F-15E da Força Aérea foram abatidos por fogo amigo sobre o Kuwait, no dia 2 de março, e na altura todos os seis tripulantes ejetaram-se em segurança.

Segundo Trump, o facto de os tripulantes do F-15E Strike Eagle e do A-10 Warthog terem sido resgatados sem que nenhum norte-americano tivesse morrido mostra que os EUA têm “um domínio e uma superioridade aérea esmagadores“.

Porém, diz o The New York Times, a queda do F-15E e os danos no A-10 deixam claro que um exército iraniano enfraquecido ainda consegue ripostar —  com um arsenal limitado, mas letal, de mísseis e drones.

ZAP //

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