Os clientes não saíram afetados com a mudança nos pagamentos com cartão nos terminais Multibanco, mas escolher a marca que irá processar o pagamento pode custar o triplo ao comerciante.

Em julho, entrou em vigor uma alteração aos pagamentos multibanco em Portugal que possibilita escolher a marca com que se faz determinado pagamento num terminal, não tendo implicações para o cliente.

“Caso o cartão seja de débito, a operação será sempre efetuada nesta modalidade, estando o consumidor apenas a escolher fazer a compra através da marca Multibanco ou de outra marca internacional (Visa, MasterCard ou American Express, por exemplo)”, explicou a SIBS, entidade que gere os pagamentos multibanco em Portugal, na altura.

“A opção dada ao consumidor não é, portanto, entre a operação ser realizada a débito ou a crédito, mas sim com a marca Multibanco ou outra marca internacional. A seleção referida não tem implicações para o cliente“, esclarecia a entidade

No entanto, a escolha da marca nos Terminal de Pagamento Automático (TPA) pode ter custos diferentes para os comerciantes, que podem ter que pagar o triplo em comissões bancárias.

Ao terem de optar pela marca – Multibanco, Visa, Mastercard ou American Express – que irá processar o pagamento. O resultado desse gesto arbitrário e sem custos para o cliente pode ser afinal “desastroso” para o comerciante, pois .

O portal de comparação de produtos financeiros ComparaJá pôs lado a lado as Taxas de Serviço do Comerciante (TSC) propostas aos comerciantes por vários bancos e pela Unicre, a empresa que gere os contratos da Visa e da Mastercard em Portugal.

Ao Dinheiro Vivo, a marca explica que a TSC cobrada pelos pagamentos na rede Multibanco é sempre mais baixa, exceto no novo tarifário da Caixa Geral de Depósitos, publicado há dias, que igualou a taxa (0,75%) em todas as marcas.

Nos pagamentos a débito na rede Visa ou na Mastercard, a TSC pode chegar a 2,35% do valor da transação, enquanto que nos pagamentos a crédito, as taxas nestas marcas podem chegar a 2,95%.

“Há uma enorme diferença entre TSC conforme a marca que o cliente irá selecionar no momento do pagamento, muitas vezes sem valorizar esse gesto, e o comerciante é que vai arcar com esse custo”, afirma Sérgio Pereira, diretor-geral do ComparaJá, ao Dinheiro Vivo.

Por exemplo, numa compra de 40 euros (o valor médio das compras pagas através de TPA em Portugal) a débito, se o cliente optar pela marca Multibanco, o comerciante pode pagar de 30 a 60 cêntimos em comissões. No entanto, se o pagamento foi processado pela Visa ou Mastercard – mesmo a débito -, a comissão pode subir para 94 cêntimos.

Em 10 mil euros de operações com cartões de débito, as comissões que podem custar ao comerciante 75 euros através da marca Multibanco podem chegar aos 235 euros, caso se apliquem pagamentos com Visa ou Mastercard – ou seja, mais do triplo.

“Alguns comerciantes já se aperceberam deste impacto e já começam a selecionar a opção Multibanco antes de entregar o TPA ao cliente para introdução do PIN, mas muitos estarão ainda por alertar”, sublinha Sérgio Pereira ao Dinheiro Vivo.

“Infelizmente, continuamos sem qualquer informação precisa sobre os verdadeiros custos que incorrem as nossas empresas, uma matéria em que o Banco de Portugal tem de intervir rapidamente, de forma a minimizar os efeitos gravosos que estas novas alterações já estão a provocar nas nossas empresas”, alerta Pedro Carvalho, da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

ZAP

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