Esta semana os Trabalhos de Casa (TPC) estiveram na ordem do dia, as associações de pais portuguesas tomaram posição contra à sua realização enquanto rotina, defendendo a ideia de que estes devem ser realizados na escola.

Depois da polémica em Espanha relativamente aos TPC, Jorge Assunção, Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), nao coloca a hipótese de uma ação semelhante acontecer em Portugal, defende no entanto, que  “é preciso repensar o modelo e garantir que se deixa tempo aos alunos para fazerem o que gostam, já que muitos alunos não têm tempo livre durante o período letivo”.

Em causa para a Confap estão as horas que os alunos passam dentro da escola, tornando impossível a realização dos TPC em casa ao fim do dia, até porque na opinião de Jorge Assunção “Em algumas situações há exagero na quantidade e na própria metodologia, já que os professores não desafiam as crianças a aplicar em casa o que aprenderam na escola, mas sim a repetir o trabalho já feito, com fichas e mais fichas.”

Para a confederação, “os TPC não devem existir por norma nem ser um instrumento essencial das aprendizagens. As escolas deveriam implementar um modelo em que o estudo e a consolidação das matérias era feito no tempo escolar e com a ajuda de quem sabe”.

Um estudo realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) realçou o facto de os TPC reforçarem “a disparidade socio-económica entre os estudantes” e “aumentarem o intervalo entre os ricos e os pobres”. Sendo que esta organização recomendou que escolas e professores ajudem os seus alunos mais desfavorecidos a realizar os TPC, através de variadas estratégias de organização que podem passar, por exemplo, por auxiliar aos pais nesse sentido ou proporcionado aos jovens espaços calmos dentro das escolas onde estes os possam realizar.

As palavras do presidente da Confap vão de encontro a esta preocupação da OCDE, reforçando que : “Se há famílias que têm tempo e conhecimentos para ajudar os seus filhos, existem muitas outras que não têm. Se uns podem pagar a explicadores, outros não o podem fazer e depois, quando estes alunos chegam à escola, podem passar por desinteressados ou calões, quando a realidade é bem diferente”.

No entanto, os alunos portugueses não são os mais atingidos pelos trabalhos de casa, uma vez que em média quatro horas por semana aos TPC, menos uma do que a média registada entre os 38 países e zonas económicas da OCDE.

iPG

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