Milhares de anos antes dos gatos invadirem os nossos lares (e os nossos corações), estes animais andaram a conquistar o mundo na companhia de agricultores, de marinheiros e até de Vikings.

A conclusão é de um grupo de cientistas que apresentou, na semana passada, no Simpósio Internacional de Arqueologia Biomolecular, em Oxford, a sua mais recente investigação.

A equipa analisou o ADN de 209 gatos que viveram entre 15 mil e 3.700 anos atrás, ou seja, mesmo antes do aparecimento da agricultura até ao século XVIII, explica o Science Alert.

Preservados em mais de 30 locais arqueológicos espalhados pela Europa, Médio Oriente e África, foram estes animais que permitiram aos cientistas juntar as peças da sua história que, até agora, era praticamente desconhecida.

“Não conhecemos a história dos gatos antigos. Não conhecemos a sua origem, não sabemos como a sua dispersão aconteceu”, explicou Eva-Maria Geigl, uma geneticista evolucionária do Instituto Jacques Monod, em França, que participou na pesquisa divulgada na Nature.

Os cientistas perceberam que estes felinos vivenciaram duas ondas de expansão no início da sua história.

Quando os investigadores analisaram o ADN mitocondrial – informação genética que passa apenas da progenitora -, descobriram que gatos selvagens do Médio Oriente e gatos do Mediterrâneo partilhavam uma linhagem similar.

Segundo o estudo, isto sugere que os gatos selvagens podem ter-se espalhado para as comunidades agrícolas por serem atraídos pelos ratos que, por sua vez, eram atraídos pelos cereais.

Posteriormente, milhares de anos mais tarde, a investigação sugere que há uma ligação entre o ADN dos gatos provenientes do antigo Egito e dos da Eurásia e de África, escreve o Live Science.

Esta segunda onda de expansão foi atribuída aos desbravadores dos mares como, por exemplo, marinheiros e Vikings, e exatamente pelo mesmo motivo da vaga anterior.

A ideia dos investigadores é que estas pessoas gostavam da presença dos gatos nos seus navios exatamente para controlar a presença inesperada de roedores.

“Eu nem sabia que existiam gatos vikings”, declarou Pontus Skoglund, geneticista populacional da Universidade de Harvard, nos EUA, que ficou a conhecer o estudo.

O estudo está ainda numa fase muito inicial e pretende, para já, mapear a história desta espécie que, comparativamente com a dos cães, está muito atrasada.

ZAP / Hypescience

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