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A maioria de esquerda aprovou a proposta do PCP para o novo regime de arrendamento urbano que se estende até 2022. PSD e CDS-PP votaram contra.

PS, BE, PCP, PEV e o deputado único do PAN aprovaram esta sexta-feira na generalidade o projeto de lei dos comunistas para prolongar de cinco para dez anos o período de transição para atualização das rendas urbanas.

Assim, apesar dos votos contra do PSD e do CDS, ficará estendida até 2022 a aplicação do novo regime de arrendamento urbano, criado em 2012 pelo anterior Governo, que prevê a actualização de rendas de contratos anteriores a 1990 pela negociação entre proprietários e inquilinos ou o cálculo de 1/15 do valor patrimonial fiscal do imóvel.

Socialistas, bloquistas e comunistas manifestaram já disponibilidade para proceder a alterações e aprofundar a discussão sobre o projeto de lei em causa em sede de especialidade.

O PCP defende aquele prolongamento para todos os inquilinos com rendimento anual bruto corrigido inferior a cinco vezes as retribuições mínimas garantidas anuais (37.100 euros) e a redução do valor máximo de renda de 1/15 do valor da propriedade para 1/25, bem como para as pessoas com mais de 65 anos ou com graus de incapacidade de mais de 60%, incluindo ainda imóveis arrendados para outros fins (comércio, coletividades desportivas e culturais, entre outros).

O PS tinha apresentado um projeto de lei semelhante, em abril, contemplando também “lojas e entidades com interesse histórico-cultural” e o próprio Governo socialista incluíra a iniciativa nas Grandes Opções do Plano para 2017.

A Associação Lisbonense de Proprietários considera este projeto de lei do PCP “absolutamente impensável”.

“Os inquilinos pobres não são beneficiados, porque já tinham o subsídio assegurado. Os inquilinos ricos, esses são beneficiados, prejudicando os senhorios que perdem 40% do valor das rendas”, afirmou à agência Lusa o presidente da ALP, Luís Menezes Leitão.

Em causa está a redução do valor máximo de renda de 1/15 para 1/25 do valor do patrimonial do imóvel, que vai originar uma quebra na renda, na ordem dos 40%, explicou o representante dos proprietários.

Neste sentido, Luís Menezes Leitão advertiu que o projeto de lei do PCP não estabelece apenas a prorrogação do período transitório ao NRAU, considerando que “só isso já seria suficientemente grave, uma vez que está a lesar completamente as expectativas dos proprietários”.

Para o presidente da ALP, a proposta dos comunistas é apenas para proteger inquilinos ricos”, uma vez que define como inquilinos com carência económica todos os que “ganham até cinco salários mínimos”.

“O que se vai passar é que o PCP vai pôr em causa toda a negociação e todas as rendas que já estão em pagamento – algumas delas há quatro anos”, disse Luís Menezes Leitão.

De acordo com o representante da ALP, a prorrogação do período de transição para atualização das rendas “é uma forma de o Estado querer abolir as obrigações que tem”.

“É ao Estado que compete fazer Segurança Social, não é aos proprietários”, reforçou, referindo que um novo “congelamento” das rendas vai fazer com que o subsídio, previsto começar após o período transitório, não seja aplicado.

O responsável dos proprietários alertou ainda para as consequências “gravíssimas” da prorrogação do período de transição, nomeadamente a degradação dos prédios e o desaparecimento do arrendamento no centro das cidades.

Questionado sobre a possibilidade de existir um subsídio para os proprietários pobres, Menezes Leitão disse que essa proposta “é para rir com certeza”, argumentando que a carência dos senhorios se deve às rendas congeladas.

“Os senhorios deviam ter era um mercado de arrendamento liberalizado”, defendeu.

ZAP / Lusa
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