A intenção era boa, mas a forma como Marcelo Rebelo de Sousa actuou para salvar o Teatro da Cornucópia do encerramento anunciado está a motivar muitas críticas ao Presidente da República, nomeadamente por estar “a fazer de primeiro-ministro”.

Marcelo apareceu de surpresa no Teatro da Cornucópia, no dia em que estava previsto o último espectáculo da companhia que anunciou o encerramento devido aos cortes nos subsídios públicos, e obrigou o ministro da Cultura a cancelar uma visita, para seguir também para o mesmo local.

Marcelo “fez três coisas que devia cuidadosamente evitar”

Em pleno palco, o Presidente da República pôs as partes a conversar e sugeriu até que fosse criada uma condição de excepção, para permitir “salvar” a Cornucópia.

Uma intervenção que, segundo o Constitucionalista Vital Moreira, coloca Marcelo a “fazer de primeiro-ministro”, conforme escreve no blogue Causa Nossa.

Para o ex-deputado europeu do PS, Marcelo “não deve evitar somente assumir o papel de primeiro-ministro num teatro; deve também evitar aparecer como treinador, chairman ou maestro do Governo, que ele não é, nem pode ser”.

Vital Moreira ainda considera que Marcelo “fez três coisas que devia cuidadosamente evitar”, designadamente, “intrometer-se numa questão concreta do foro governamental”; “envolver-se num diálogo político directo com um ministro sectorial, quando o seu interlocutor institucional é por definição o Primeiro-ministro” e “patrocinar uma solução política excepcional para um caso concreto, em violação flagrante do princípio da igualdade de tratamento“.

Neste mesmo tom, embora sem falar no nome do Presidente da República, o deputado do PS Porfírio Silva acusa Marcelo de “extravasar os seus poderes constitucionais”, através do blogue Machina Speculatrix.

Co-fundador da Cornucópia diz que Marcelo é “mentiroso”

Noutro âmbito, o encenador e co-fundador da Cornucópia, Jorge Silva Melo, acusa Marcelo de ser “mentiroso”, isto depois de o Presidente da República ter garantido que esteve no primeiro espectáculo da Companhia, em 1973.

“Era eu que tratava dos bilhetes, tenho memória infalível, era a nossa estreia e sei lindamente quem foi”, sublinha Jorge Silva Melo no seu perfil do Facebook, garantindo que Marcelo não esteve lá.

Entretanto, o envolvimento de Marcelo no caso da Cornucópia não passou despercebido às redes sociais e pelo Twitter há muito quem critique o Presidente da República pela forma como interveio no caso.

SV, ZAP

COMPARTILHAR

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor introduza o seu nome aqui