O jornalista já sabia o que lhe estava a acontecer, mas viveu-o na primeira pessoa: dois especialistas informáticos testaram os dispositivos de segurança do best-seller do grupo Fiat e, em poucos segundos, entraram no painel de controlo e tomaram conta do carro. Os travões do Jeep que Andy conduzia em plena autoestrada já não funcionavam e o motor começava a parar por ordem exterior.

A história real contada na revista no início deste mês lançou uma questão antiga: quanto mais tecnológicos, mais vulneráveis são os automóveis. E perante a ameaça a Fiat Chrysler -fabricante daquele modelo – foi obrigada a recolher 1,4 milhões de carros.

Os dois especialistas em segurança cibernética provaram que é simples entrar no painel de um Jeep Cherokee e tomar a função do condutor. Até aqui, acreditava-se que o Cherokee só era vulnerável a ataques através da mesma ligação wireless e a poucos metros de distância, mas este teste aconteceu via rádio, sem ligação a wireless e a mais de dez milhas, cerca de 16 quilómetros, de distância do veículo.

Entre os carros que estão vulneráveis a este tipo de ataque estão o Jeep Grand Cherokee, os modelos 2014 e 2015 das SUV Cherokee e os coupés desportivos Dodge Challenger de 2015.

A recolha envolve assim um total de 1,4 milhões de carros, um número bastante superior ao que Chris Valasek e Charlie Miller, os dois especialistas informáticos, pensaram inicialmente. Em todo o caso, sentiram-se recompensados por perceberem que “a marca atuou prontamente”.

Ainda assim, esta recolha vai ser diferente das que as fabricantes costumam realizar, já que não implica que os donos entreguem os carros, mas sim que recebam uma pen USB que vai corrigir o erro.

A Fiat Chrysler admitiu esta sexta-feira que “não conhecia as fragilidades” daqueles modelos e que vai trabalhar para reforçar os softwares de rádio. Em todo o caso, a marca rejeita que pudesse existir um ataque em massa aos modelos, assegurando que para recrear o desafio da Wired seria preciso um “vasto e intensivo” conhecimento informático, bem como acesso físico prolongado àqueles veículos, que permitisse desenhar o código do ataque.

Opinião diferente têm os especialistas em engenharia automóveis e informática, que admitem que a simulação da revista “não é irrealista” e que este tipo de investigação deve ser analisada por todas as fabricantes, a fim de evitar futuros incidentes que lhes poderiam estar relacionados -imagine–se, por exemplo, o impacto que teria a paragem brusca de um ou mais carros numa autoestrada.

“Até aqui eles [os fabricantes de automóveis] tinham apenas de pôr o sistema em funcionamento. Agora são obrigados a olhar para eles com novos olhos, algo que não estão habituados a fazer”, referiu Egil Juliussen, diretor de pesquisa do IHS Automotive, ao Financial Times. Desde a descoberta, as ações da Fiat Chrysler caíram 2,5%.

in Dinheiro Vivo
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