foto: ernest-morales / Flickr //

A candidata da extrema-direita às presidenciais francesas defendeu a criação de um imposto para os contratos de trabalho com estrangeiros.

 A receita gerada por esse imposto poderia ser utilizada para indemnizar os desempregados, explicou Marine Le Pen numa entrevista publicada esta quinta-feira pelo Le Monde.

A proposta insere-se no que a líder da Frente Nacional designa como “prioridade nacional” e quer aplicar se for eleita nas presidenciais de abril e maio.

No mesmo sentido, Le Pen disse ao jornal francês que pretende taxar as importações de bens e serviços com uma “contribuição social” de 3%, imposto com o qual prevê recolher “no mínimo 15 mil milhões de euros” e que, assegurou, não terá impacto significativo no poder de aquisição dos consumidores.

A base de tudo isto é o patriotismo, ou seja, cada medida e cada euro gasto têm como vocação defender o interesse dos franceses”, disse a candidata do partido de extrema-direita, que as sondagens dão como certa na segunda volta.

Le Pen defendeu “um protecionismo inteligente”, de “luta contra as deslocalizações selvagens”, e congratulou-se com a declaração do novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no discurso de tomada de posse, da “morte do ultraliberalismo”.

“Trump foi eleito por promessas que está a aplicar. Esse respeito pelos eleitores devia ser um modelo para todos os políticos”, disse Le Pen, frisando contudo não ter como referência nem estar “fascinada” pelos EUA, como não o está pela Alemanha ou pela Rússia.

Sobre o seu programa eleitoral, que vai apresentar este fim de semana em Lyon, a líder da extrema-direita repetiu que quer tirar França da União Europeia.

“Irei imediatamente a Bruxelas para negociar o regresso das quatro soberanias: monetária, legislativa, orçamental e territorial. E seis meses depois das eleições, organizarei um referendo sobre a saída da UE”, disse.

A candidata manifestou-se convicta de que essa sua medida vai desencadear “um movimento” a que se vão juntar vários países para “obter a anulação de regras e tratados que prejudicam a sua segurança ou a sua economia”.

Investigada por alegado uso indevido de 340 mil euros dos fundos que recebeu como eurodeputada, Le Pen assegurou que não se retira da corrida presidencial se vier a ser formalmente acusada.

“Um juiz decidir quem é e quem não é candidato é o fim da democracia”, disse.

// Lusa

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