A amizade por interesse é certamente uma realidade vivenciada por muitos dos que neste momento leem este texto. Este tipo de amizade surge no grupo de conhecidos e muitas vezes nos meandros das relações familiares.

Um gesto, uma palavra, uma atitude quantas vezes irrefletida ou despojada da necessidade agradecimento, aparentemente torna as pessoas os melhores amigos do mundo.

A verdade é que o grau de convivência que dai advém sobrevive pelo período em que um deles ainda se recorda do que o outro lhe fez. Durante esse período quase tudo se aceita vindo do outro lado, mesmo que se esteja contra, só para não desgostar quem nos ajudou. E quando o tempo passa, o cansaço de agradar e da “dependência de favor” leva ao fim ou ao início de algo mais. Quando isto acontece, os que antes se localizavam no espetro dos bons passam a ocupar um número baixo na lista dos adorados, chegando à indiferença.

Quebram-se assim os laços inicialmente indestrutíveis e criam-se novos laços ditos para sempre. Amizades inabaláveis, que terminam do modo como começaram, num ápice.

Felizmente nem todos se dão a este tipo de comportamento, a gratidão não altera comportamentos ao ponto de se mudarem atitudes radicalmente, num fundo de gratidão insensata, que nos anula e nos torna resilientes. Pior do que se ser “mal-agradecido” é ser um “falso agradecido”.

Socialmente esta é a oportunidade de aprender a distinguir a amizade verdadeira das restantes, de perceber o imenso valor da autenticidade. A amizade não se constrói em falsos sentimentos, mas na mútua partilha sincera dos dias, mesmo quando dizer o que se pensa não tem de ser o que o outro lado deseja escutar!

Convenientemente hoje somos amigos, amanhã… já não sei!

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