A emissão do trailer da nova série da Netflix, “Dear Whitye People”, indignou muitos dos seus subscritores, que cancelaram a assinatura da empresa norte-americana de video on demand por considerar que o seu tom é “racista” e “apela ao genocídio branco”.

 A Netflix divulgou esta quarta-feira o primeiro teaser da sua nova série, Dear White People, baseada no premiado filme homónimo de Justin Simien, de 2014.

Simien regresa agora às câmaras para realizar a série Netflix, juntamente com Barry Jenkins, de Moonlight (2016), que realiza alguns episódios da primeira temporada.

O enredo acompanha Samantha White (Logan Browning), Coco Conners (Antoinette Robinson), Joelle Brooks (Ashley Blaine Featherson) e Troy Fairbanks (Brandon P. Bell), quatro estudantes negros que têm que lidar com o racismo numa universidade frequentada maioritariamente por estudantes brancos.

Bell interpretou o mesmo personagem na versão cinematográfica. Dennis Haysbert é o narrador da história.

No vídeo, Samantha dirige-se directamente aos brancos, num programa da rádio universitária, sobre fantasias para o dia das bruxas, e diz que pirata, enfermeira ou qualquer um dos primeiros 43 presidentes americanos são disfarces aceitáveis. Só há um disfarce inaceitável: ela.

A personagem mostra então fotos de brancos fantasiados de negros para demonstrar o desrespeitoso blackface. O trailer critica tal prática, que teve a sua origem em peças teatrais e shows de menestréis do século XIX.

Actores de origem europeia pintavam na altura a cara com carvão de cortiça para representar personagens negros, reforçando estereótipos racistas e impedindo que actores afro-americanos fizessem parte dos espectáculos.

Com apenas 34 segundos, o teaser gerou revolta entre os brancos dos EUA. Vários assinantes da Netflix dizem que vão cancelar a assinatura do canal de streaming com o  argumento de estarem incomodados pelo racismo contra brancos.

Em entrevista ao Indie Wire, o realizador Justin Simien comentou a reacção negativa do público ao primeiro trailer da série.

Para os privilegiados, a igualdade parece opressão, e três simples palavras positivas fazem-nos entrar numa luta colossal pela sua própria existência. É assim na mente de algumas pessoas um anúncio de menos de um minuto se transforma num apelo ao genocídio branco – apesar de todos os sinais dizerem o contrário“, afirmou.

A série, de 10 episódios, estreia a 28 de abril.

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