Em 1911, a Mona Lisa foi roubada no Museu do Louvre. Era segunda-feira – o museu estava fechado e a segurança era mínima – e o ladrão teria passado o fim de semana a planear o assalto, escondido num armário do museu.

Na época, a segurança no Louvre era péssima. Havia menos de 150 seguranças encarregados de guardar 250 mil artefactos, e nenhuma das pinturas estava pregada nas paredes. De acordo com o Artsy, “meses antes do assalto, um repórter francês passou a noite num sarcófago do Louvre para expor a insignificante vigilância do museu”.

Após o desaparecimento da pintura, as fronteiras da França foram fechadas, com as autoridades a examinar todos os veículos que cruzavam a fronteira este do país. A cobertura dos media espalhou-se pelo mundo, transformando a pintura pouco conhecida num nome familiar.

O Paris-Journal ofereceu 50 mil francos pelo retorno da pintura. Surgiu, então, uma dica sobre um ladrão de arte que fez com que a polícia voltasse a sua atenção para um dos jovens artistas mais promissores do país: Pablo Picasso.

Picasso, que se mudara para Paris uma década antes, vivia com um grupo de boémios chamado de “bande de Picasso”. Entre eles, estava o poeta e escritor Guillaume Apollinaire, cujo ex-secretário era Joseph Géry Pieret, um homem belga de moral questionável.

Pouco depois de a Mona Lisa ter sido roubada, Pieret – atraído pela possibilidade de receber uma recompensa em dinheiro – entrou no escritório do jornal Paris-Journal e alegou que já tinha levado obras de arte do Louvre e as entregara a “amigos”.

E era verdade. Em 1907, Pieret tiha roubado pelo menos duas esculturas ibéricasfeitas no século III ou IV a.C e vendeu-as a Picasso, que lhe pagou 50 francos por peça. Além disso, Pieret também roubou uma peça semelhante do Louvre em 1911 e colocou-a na lareira da casa de Apollinaire.

A polícia leu sobre as façanhas de Pieret com grande interesse. As autoridades acreditavam que as pessoas que possuíam estas esculturas poderiam também ter a Mona Lisa – e não foi difícil descobrir quem eram os amigos do ladrão.

Percebendo que estavam em apuros, Picasso e Apollinaire empacotaram as esculturas ibéricas e fugiram no meio da noite com um plano: deitar as obras de arte no rio Sena. Mas quando os dois artistas chegaram à água, não conseguiram.

Em vez disso, Apollinaire visitou o Paris-Journal na manhã seguinte, onde deixou as estátuas e exigiu que o jornal lhe desse anonimato. O jornal concordou até as autoridades entrarem em cena.

Dias depois da visita de Apollinaire ao jornal, a polícia deteve-o. No início de setembro, Picasso foi condenado a comparecer perante um magistrado. Quando lhe perguntaram se conhecia Apollinaire, o pintor mentiu. “Nunca vi este homem”, respondeu ele.

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