Desde a maior abstenção de sempre sentida em 1999, com uma taxa de 64,4% nas eleições europeias que a taxa dos que deixam de exercer o direito de voto tem sido demasiado alta para a manutenção de uma democracia.

A descrença na classe política é sem dúvida, a meu ver, o grande fator de abstenção. O deixar de exercer o direito de voto é uma forma de gritar aos políticos e partidos que o povo não está de acordo com o seu modo de ação. Mas será esta a forma correta de mostrar o descontentamento?

Durante anos os países lutaram pelo direito ao voto, pelo direito a escolha democrática dos seus governantes e agora passados anos entregamos na mão de ninguém o poder de decisão.

A liberdade de ação é um direito, mas o exercício de cidadania passa pelo ação cívica de cada um, que ao se abster de votar se recusa a tomar decisões relativas ao futuro do seu país e neste caso da participação do mesmo na Europa.

Não seria exequível que por exemplo o cidadão comum se inserisse na vida politica, em partidos, em ações de luta dentro dos próprios meios políticos, demarcando a sua posição da atual circunstância? Não seria válido agir em vez de criticar a ação politica que temos? Não seria correto votar, no sentido de se mostrar atento e capaz de opinar sobre uma realidade do país, da europa que é sua e não dos políticos?

As elevadas taxas de abstenção são assustadoras para a democracia que temos, pela não ação cívica estamos a perder poder e a deixar que decisões corram ao sabor de um voto inexistente.

Se por um lado ao não exercer o direito de voto o cidadão tenta mostrar a sua desistência, abdicação de participação e desânimo o que enfraquece o seu poder democrático, a abstenção deveria fazer a classe politica refletir sobre este fenómeno, evoluindo e crescendo no cumprimento da sua missão no país.

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