As associações de defesa animal pedem ao Estado para baixar o IVA sobre os cuidados veterinários e investir em formação para evitar o número crescente de abandonos, apelando às câmaras para que cooperem na resolução deste problema.

Contactadas pela agência Lusa, as associações União Zoófila, Animal e SOS Animal concordam com a necessidade de baixar os valores dos tratamentos de ‘companheiros’ de estimação, sobretudo numa altura em que a crise financeira aperta os orçamentos familiares. Para a presidente da União Zoófila, Luísa Barroso, a solução passa por se “facilitar o acesso a cuidados veterinários a famílias com dificuldades económicas”, que se tornaram mais caros quando o IVA associado aumentou de 21 para 23%.

A presidente da SOS Animal, Sandra Cardoso, corrobora a ideia, explicando que quando os animais precisam de tratamentos médicos, “os próprios donos recorrem ao abate do animal porque não têm meios económicos para tratar deles” devido às elevadas taxas aplicadas.

Uma outra solução defendida por Luísa Barroso é a esterilização e a vacinação dos animais, para as quais pede uma cooperação entre clínicas veterinárias e entidades municipais. As esterilizações e a vacinação dos animais “poderiam resolver verdadeiramente o problema e não apenas matá-lo” como fazem normalmente as câmaras municipais, defende a presidente da União Zoófila.

O número de nascimentos de animais “não para de aumentar, o que cria desequilíbrio”, explica a presidente da Animal, que acredita na consciencialização para a esterilização dos animais como um meio para reduzir os abandonos. As associações procuram sensibilizar os cidadãos quanto aos maus-tratos animais, mas esse é o “papel pedagógico que o Estado devia fazer e não faz”, frisa a presidente da Animal, Rita Silva.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que pode executar e avaliar políticas de segurança alimentar, de proteção e sanidade animal, “não está disponível ao fim de semana” e “não tem um número direto ou uma linha de emergência”, acusa a SOS Animal.

Nas zonas rurais, vêem-se mais animais abandonados do que nas áreas urbanas devido à “‘operação de cosmética’ por parte das autarquias, levando-os para os canis municipais e acabando geralmente por matá-los”, refere a presidente da Animal, acrescentando que esta ação “acaba por tratá-los como resíduos sólidos urbanos”.

Para as responsáveis das associações, o aumento de animais abandonados não será uma consequência da crise, tendo em conta que persistem os comportamentos observados antes da crise.

Agência Lusa

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