foto : Rungroj Yongrit / EPA

Segundo avançou a Bloombergcitada pela Rádio Observador na terça-feira, o objetivo destas equipas é que explorem novos projetos e ideias. Caso falhem, vão sofrer cortes sucessivos nos salários e podem ser despedidos.

Na segunda-feira os Estados Unidos (EUA) estenderam por mais 90 dias a suspensão do embargo imposto à Huawei. Este embargo, que foi decretado em maio pelo governo norte-americano e pôs a empresa numa “lista negra”, proíbe negócios com empresas no país.

Se a medida entrar em pleno vigor, a empresa chinesa vai ficar impossibilitada de continuar parcerias estratégicas em solo americano. Ou seja, tem de cessar a relação que tem com tecnológicas como a Google, que é responsável pelo sistema operativo móvel mais utilizado, o Android, ou fabricantes de chips como a Intel ou a Qualcomm.

Assim, a Huawei, que foi reconhecida em 2018 como a segunda maior fabricante de telemóveis do mundo, ultrapassando a Apple (no topo está a Samsung), pode ter inviabilizado o negócio de venda e criação de ‘smartphones’.

Além disto, a Huawei é, atualmente, uma das principais empresas que a vender componentes e antenas para a criação de redes 5G, a próxima geração de infraestruturas móveis. Com os EUA a afirmarem que a mesma utiliza os seus produtos para espiar a favor do governo chinês – e países como o Japão, Austrália ou Nova Zelândia a também imporem medidas restritivas à empresa -, o negócio de venda e desenvolvimentos destes componentes pode também ficar inviabilizado.

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O fundador da Huawei, Ren Zhengfei

“[Os trabalhadores com pouco trabalho] ou formam um ‘esquadrão de comando’ para explorar novos projetos – que pode fazer com que sejam promovidos a líder de comando, se forem sucedidos, ou podem encontrar trabalhos no mercado interno. Se falharem em encontrar um novo papel, os seus salários vão ter cortes a cada três meses”, escreveu Ren Zhengfei num comunicado interno.

A extensão da suspensão do embargo pode ter empurrado para novembro uma decisão final sobre este impasse entre a Huawei e os EUA, mas o governo norte-americano parece convicto em efetivar esta medida, naquilo que pode ser mais um episódio da guerra comercial com a China. Em maio, quando foi emitido o decreto que colocou a empresa na “lista negra”, esta já estava impossibilitada de vender ‘smartphones’ nos EUA.

Como referiu a Bloomberg, o impacto desta incerteza quanto ao futuro da empresa, mesmo que não avance, pode ser “doloroso” para as suas receitas a médio e a longo prazo.

Recentemente, a Huawei apresentou um sistema operativo próprio que poderá ser utilizado em futuros ‘smartphones’, – o que já era um rumor há vários meses. Contudo, sem a certeza de que a empresa poderá utilizar todos os recursos do Android, neste segmento terá de voltar a convencer muitos consumidores se avançar com este sistema operativo.

Só este ano, a empresa estima que vai vender menos 60 milhões de equipamentos, informou o mesmo meio. Este segmento de produtos para consumidores da Huaweirepresentou cerca de 45% das receitas em 2018 e é considerado pela gigante chinesa um sector essencial para o seu futuro.

Quanto ao 5G, a empresa tem celebrado contratos em vários países, mas com concorrência cada vez mais apertada de outras empresas de telecomunicações, como a Ericsson.

TP, ZAP //

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