Somos um país onde o título académico é representativo de consideração social e por isso não se abdica do respetivo tratamento. Na mesma semana um adjunto do primeiro-ministro e o chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto demitiram-se dos cargos porque tinham apresentado currículo com licenciaturas inexistentes.
Para se ser primeiro-ministro (como ministro ou secretário de Estado e outros cargos políticos) não é preciso ter habilitações literárias equivalentes à licenciatura. A ascensão política faz-se dentro das organizações partidárias e a competência, ou não, destes jotas, é avaliado pelo próprio partido, a licenciatura é completamente irrelevante, a não ser para garantir um estatuto ou uma remuneração mais elevada.
Não se percebe qual o motivo que terá motivado esta embustice, mas algo já deveriam ter aprendido, com o mau exemplo do caso Relvas e a invenção de licenciaturas. A vigarizarão no currículo não é um bom princípio no exercício de cargos públicos. Evidentemente demitiram-se.
Outra situação que anda a chocar o país é a remuneração do presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues vem do sector privado e por isso irá auferir o mesmo salário que recebia anteriormente.
O ordenado, exagerado do dito senhor, é o praticado por todos os cargos equivalentes na banca, sector onde a Caixa se enquadra.
A competência deve ser bem paga e a Caixa precisa de administradores competentes para que não vá parar às mãos de privados.
As desigualdades salariais no nosso país são chocantes e um salário trinta vezes superior ao salário médio em Portugal, é certamente desconcertante para a maioria das pessoas. Neste caso se António Domingues já tinha este nível salarial e é perfeitamente normal que não perca poder de compra ao aceitar dirigir o banco público, a questão é que António Domingues não quer manter o poder de compra, quer aumentá-lo à custa do banco público.
A verdade é que passa a acumular o ordenado de banqueiro da Caixa com a reforma que, vai passar a receber do banco de onde saiu. É essa acumulação que é questionável, muito mais do que o vencimento em si, uma vez que se adicionam e é essa situação que já parece menos razoável.

































