foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Preso a 7 de abril, Lula da Silva, fundador do Partido dos Trabalhadores, reúne 31% das intenções de voto, seguido do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, com 15%.

Marina Silva, ex-ministra do ambiente do Governo de Lula, conta com 10% das intenções de voto. O atual Presidente Michel Temer, que pode recandidatar-se, reúne 2% das intenções de voto.

Esta sondagem do Datafolha, realizada entre os dias 11 e 13 de abril, revela um recuo do ex-chefe de estado que, nas sondagens de janeiro, tinha conseguido 37% das intenções de voto, contra 16% de Bolsonaro.

Segundo o Expresso, o estudo de opinião revela ainda que 21% dos inquiridos dizem que vão votar branco ou nulo, um patamar nunca antes alcançado em sondagens realizadas a seis meses das eleições.

O ex-chefe de Estado começou a cumprir pena em Curitiba em conformidade com uma ordem judicial pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável por julgar os casos de corrupção relacionados a Operação Lava Jato.

Em junho do ano passado, o juiz condenou Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e branqueamento de capitais, num processo em que foi considerado culpado de receber como suborno um apartamento de luxo da Construtora OAS.

Essa sentença foi ratificada e a pena ampliada para 12 anos e um mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), um tribunal de segunda instância, em janeiro, que também determinou a prisão imediata do antigo chefe de Estado depois que se esgotassem todos os recursos naquele tribunal.

A maioria dos eleitores (54%) considera que a prisão de Lula foi justa, contra 40% que entendem o contrário. Os que apoiam a detenção são, sobretudo, homens com maior taxa de escolaridade e maior poder de compra, residentes no Sul do país. Pelo contrário, a opinião de que foi injusta prevalece no Norte, maioritariamente entre os mais pobres e menos escolarizados, cita o semanário português.

Além disso, só 30% dos inquiridos defendem que o líder do PT devia ser impedido de concorrer, mas 62% acreditam Lula acabará por não disputar as presidenciais.

Bolsonaro denunciado por racismo

O procurador-geral da República do Brasil denunciou Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal por racismo contra indígenas, refugiados, mulheres e a comunidade LGBT.

Se for condenado pelo Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro poderá cumprir pena de prisão “de um a três anos”, segundo a Procuradoria, e terá de pagar no mínimo 400 mil reais (cerca de 95 mil euros) por danos morais coletivos.

Também o filho do pré-candidato à presidência, Eduardo Bolsonaro, igualmente deputado e que foi denunciado pela procuradoria por ameaçar uma jornalista, incorre numa pena de um a seis meses de detenção que pode ser convertida em medidas alternativas.

Jair Bolsonaro, defensor da ditadura militar (1964-1985), assegurou já que os ataques são “infundados”. Em causa está uma conferência realizada no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, em abril de 2017 em que, perante uma audiência de 300 pessoas, Bolsonaro “usou expressões de natureza discriminatória, incitando o ódio e afetando diretamente vários grupos sociais”, segundo a Procuradoria.

Geraldo Magela / Agência Senado

Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Partido Progressista brasileiro

A Procuradoria reproduz vários excertos do discurso de Bolsonaro, nos quais o candidato à Presidência fala dos descendentes de escravos negros “como se fossem animais”, dizendo que “eles não fazem nada e são inúteis, nem mesmo procriam”. O parlamentar também disse, segundo a Procuradoria: “Se eu vir dois homens aos beijos na rua, eu atingi-los-ei”.

Os assessores de Bolsonaro reagiram num comunicado considerando “lamentável testemunhar ataques infundados, cujo objetivo é gerar informações sensacionalistas para denegrir a imagem de quem, de facto, é o maior fenómeno da política do Brasil nos últimos anos”. O candidato “não terá dificuldade em provar na esfera judicial que não é racista”, afirmam os assessores.

Jair Bolsonaro foi condenado em 2017 a indemnizar a parlamentar de esquerda Maria do Rosário por dizer, há três anos, que não podia ser violada porque era “muito feia”.

Considerado muito polémico pelas suas ideias de extrema-direita, ao defender o acesso às armas, um estado cristão, contrário ao aborto e a favor do modelo tradicional de família, Bolsonaro foi eleito sete vezes deputado federal.

ZAP // Lusa

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